Menos de um terço (30%) acredita que o SNS é rápido a incorporar novos tratamentos e tecnologias de saúde em comparação com outros países da União Europeia.
Mais de metade dos utentes avaliam de forma positiva ou muito positiva a modernização tecnológica dos equipamentos usados no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas apenas um terço diz que os doentes têm acesso atempado a medicamentos inovadores.
Segundo o Índice de Saúde Sustentável 2025/26, desenvolvido pela NOVA Information Management School (NOVA-IMS) e que será esta quarta-feira apresentado em Lisboa, 51% dos utentes avalia o SNS de forma positiva ou muito positiva e 56% acredita que acompanha a evolução tecnológica na área da saúde.
Sobre a inovação digital e em termos de organização, a maioria acredita que o SNS utiliza adequadamente tecnologias digitais (61%) e que se adapta rapidamente a novos desafios de saúde (57%).
Contudo, os utentes mostram-se menos confiantes quanto à inovação terapêutica: apenas 34% acredita que os doentes em Portugal têm acesso atempado a novos medicamentos inovadores através do Serviço Nacional de Saúde.
Menos de um terço (30%) acredita que o SNS é rápido a incorporar novos tratamentos e tecnologias de saúde em comparação com outros países da União Europeia.
"A população considera que o SNS está muito bem apetrechado para ser capaz de utilizar tecnologias e de ter alguma inovação em termos de organização, (...) mas apenas uma minoria, à volta dos 30%, diz que, de facto, ele é capaz de oferecer inovação terapêutica atempada aos doentes, nomeadamente o acesso aos medicamentos inovadores", explicou à Lusa o coordenador do estudo, Pedro Simões Coelho, sublinhando que este é um tema que "preocupa a população".
Para mostrar a preocupação da população com o acesso à inovação, Pedro Simões Coelho disse que, colocados sob o cenário de o SNS ter de repente recursos para aliviar os tempos de espera ou para dar acesso mais rápido a medicamentos inovadores, a maioria diz que repartiria os recursos de forma igual pelas duas opções.
"Para mim é sintomático", afirmou o responsável, acrescentando: "o tempo de espera é o que a pessoa sente como mais premente no momento imediato. Haver tanta gente que diz que abdica um bocadinho da redução dos tempos de espera, se isso permitir ter acesso a tratamentos inovadores mais rapidamente, mostra bem que é um tema está na preocupação das pessoas".
Os dados mostram que a maioria dos portugueses confia que o SNS conseguirá manter-se tecnologicamente atualizado nos próximos cinco anos (57%) e concorda que o investimento em inovação é essencial para a sustentabilidade futura do serviço público de saúde (89%).
O estudo pretende avaliar a sustentabilidade do SNS incluindo dimensões como a capacidade/resposta assistencial, a sustentabilidade financeira, a qualidade (técnica e percecionada), a acessibilidade (técnica e percecionada) e a capacidade preventiva (nova componente).
Avalia ainda o SNS na ótica do utilizador, medindo outras dimensões, como satisfação, confiança, preço e eficácia, além de identificar os pontos fortes e fracos do serviço público de saúde, bem como possíveis áreas prioritárias de atuação.
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