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Correio da Manhã

Sociedade
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Mais de um milhão de embalagens de pílula do dia seguinte vendidas em sete anos

Venda rendeu 145 milhões de euros aos laboratórios.
Francisca Genésio 25 de Maio de 2019 às 09:23
Pílula
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Entre 2012 e 2018 foram vendidas mais de um milhão de embalagens de pílulas do dia seguinte. Só no ano passado foram compradas em Portugal 169 381 caixas - cerca de 464 por dia.

Existem dois tipos de pílula do dia seguinte, com princípios ativos diferentes: o levonorgestrel (esta pílula deve ser tomada nas primeiras 72 horas após o ato sexual e pode ser comprada em farmácias e locais de venda livre), custa em média 14,55 €; e o ulipristal (tem uma atuação de 120 horas e só pode ser adquirido nas farmácias), considerada mais eficaz pelos farmacêuticos e que custa cerca de 23,95 euros.

Feitas as contas, e considerando que os portugueses optaram por comprar uma pílula com um custo de médio de 14,55 €, a comercialização de contracetivos de emergência rendeu, em sete anos, cerca de 145 milhões de euros aos laboratórios. No ano passado, as portuguesas terão gastado cerca de 2,4 milhões de euros em pílulas do dia seguinte.

Os dados revelados ao Correio da Manhã pela Autoridade Nacional do Medicamento e Produtos de Saúde (Infarmed) revelam ainda que entre 2016 e 2017 houve uma diminuição de vendas de 7%.

"A diminuição do consumo de contracetivos de emergência é sempre boa, mas um milhão de embalagens vendidas em sete anos é muito preocupante", refere Rui Nogueira, médico de família, alertando para a "necessidade de ser realizado um estudo para apurar causas".

Uma das razões que pode explicar o número elevado de vendas, segundo o especialista, é o desconhecimento dos métodos de contraceção. "O que nos parece é que há pessoas a utilizar de forma recorrente a pílula do dia seguinte, ainda que seja um método de último recurso", explica.

DISCURSO DIRETO
Rui Nogueira, Presidente da Associação Portuguesa de Medicina Geral e Familiar
"Risco de embolia pulmonar"

CM - Quais os perigos da toma recorrente da pílula do dia seguinte?
Rui Nogueira
- Os perigos têm que ver com uma concentração elevadíssima de hormonas num curto espaço de tempo. Há, por exemplo, o risco de embolia pulmonar, que em alguns casos é fatal. As mulheres fumadoras, hipertensas, obesas, por exemplo, têm risco acrescido.

- Como é que se pode reduzir o número de vendas?
- Acho que tem de haver alguma medida de controlo e/ou referenciação. Por exemplo, quando uma pessoa vai comprar uma pílula do dia seguinte à farmácia, devia ser referenciada para consulta de planeamento familiar.
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