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Correio da Manhã

Sociedade
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Enfermeiros gritam "Basta!" em frente ao Parlamento

Milhares manifestam-se num protesto que seguiu de Belém até à Assembleia da República.
Lusa 15 de Setembro de 2017 às 14:04
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
Manifestação dos enfermeiros
As vozes de descontentamento de milhares de enfermeiros encheram esta sexta-feira várias ruas de Lisboa, num protesto que os profissionais consideram como sinal de união e de mobilização da classe pelos seus direitos.

Foram seis horas de protesto que juntaram enfermeiros de todos os pontos do país, que lutam pela revisão da carreira e pela reposição das 35 horas de trabalho semanais para todos os profissionais.

Depois de uma concentração junto ao Palácio de Belém, os enfermeiros em protesto fecharam a avenida da Índia nos dois sentidos, e desfilaram até ao parlamento, concluindo depois a manifestação junto da residência oficial do primeiro-ministro.

"Nós só queremos carreira de enfermagem", foi a frase mais gritada durante o percurso da manifestação.

Vestidos maioritariamente de negro e com cravos brancos nas mãos, os enfermeiros não se cansaram de gritar, de buzinar e de fazer soar apitos nos vários pontos do protesto.

Paula Mesquita é enfermeira nos Açores há 26 anos e diz-se orgulhosa com a união manifestada pelos colegas, apesar da aparente desunião entre alguns sindicatos.

Em declarações a Lusa, contou que estava em Lisboa para resolver um problema de saúde, mas que não hesitou em juntar-se à manifestação.

De Aveiro, Gonçalo Mota, enfermeiro há dez anos, diz que "o positivo destes protestos tem sido sentir a união da classe".

"Lutamos todos por uma causa comum. Neste momento já não somos nem profissionais de primeira nem de segunda categoria, porque a nossa carreira foi congelada há 13 anos. Somos o parente pobre do SNS [Serviço Nacional de Saúde] e estamos fartos", desabafou.

Para este enfermeiro do Hospital de Aveiro, a união hoje exibida em Lisboa "transmite a injustiça, que é transversal a todos os enfermeiros".

Joana Neves, enfermeira em Coimbra há 11 anos, conta que esteve na manifestação da classe em 2009 e acredita que a de hoje superou a de há oito anos: "O ministro da Saúde conseguiu unir toda a gente com os seus insultos aos profissionais".

Na manifestação de hoje participou, além do presidente do Sindicato dos Enfermeiros, José Azevedo, a bastonária da Ordem, Ana Rita Cavaco. Os organizadores do protesto entregaram cópias do seu caderno reivindicativo a grupos parlamentares, à Presidência da República e ao gabinete do primeiro-ministro.

A manifestação de hoje coincidiu com o último de cinco dias de greve nacional, convocada pelo Sindicato dos Enfermeiros e pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem, ficando de fora o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses.

Os profissionais reivindicam nomeadamente a introdução da categoria de especialista na carreira de enfermagem, com respetivo aumento salarial, bem como a aplicação do regime das 35 horas de trabalho para todos os enfermeiros.

Bastonária vai juntar todos os sindicatos na próxima semana
A Ordem dos Enfermeiros vai chamar os vários sindicatos que representam os profissionais para uma reunião onde se "sentem à mesa e conversem", disse hoje a bastonária durante o protesto que decorre em Lisboa.

Em declarações aos jornalistas durante a concentração em Lisboa, Ana Rita Cavaco afirmou que as manifestações de descontentamento dos profissionais tiveram um pré-aviso de um ano e meio.

"Há um ano e meio que avisámos que os enfermeiros se estavam a organizar sozinhos", declarou, considerando que a ação de hoje é o maior protesto de sempre do pessoal de enfermagem.

Na segunda-feira, os vários sindicatos deverão reunir-se com a bastonária dos para conversar sobre as reivindicações da classe, nomeadamente uma reestruturação das carreiras.

PCP chama ministro da Saúde ao parlamento
O PCP pediu esta sexta-feira a presença, no parlamento, do ministro da Saúde, Adalberto Campos Fernandes, para prestar esclarecimentos sobre a situação dos enfermeiros no Serviço Nacional de Saúde, informou hoje o partido.

No dia em que termina uma semana de greve de enfermeiros, que afetou em especial os profissionais com o título de especialistas, o grupo parlamentar do PCP informou ainda, em comunicado, que reuniu com o Sindicato dos Enfermeiros, que convocou a paralisação, e o Sindicato dos Enfermeiros Portugueses (SEP), que marcou uma greve para outubro.

Os comunistas querem esclarecimentos do ministro quanto à valorização profissional e social dos enfermeiros, nomeadamente dos especialistas, as desigualdades entre enfermeiros com contratos individuais de trabalho e contratos de trabalho em funções públicas, em particular a aplicação do horário de trabalho de 35 horas por semana e a reposição das horas de qualidade.eses.
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