Passam a existir naquele concelho do distrito do Porto seis novos bairros, que representaram um investimento de 122 milhões de euros em reabilitação e construção de novas habitações.
A Câmara de Matosinhos entregou esta terça-feira as últimas 105, de um total de 512, chaves de habitações construídas ao abrigo do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), elevando para 6% o peso da habitação pública no concelho.
No total, passam a existir naquele concelho do distrito do Porto seis novos bairros, que representaram um investimento de 122 milhões de euros em reabilitação e construção de novas habitações.
Rita, Teresa e Ana receberam três das 105 chaves esta terça-feira entregues e confessaram que este dia marca "um novo começo de vida", um "momento ainda por acreditar" e "um alívio".
Aos 46 anos e com três filhas, para Rita Monte uma nova casa "é a oportunidade" de recomeçar: "É um novo começo de vida para mim e para as minhas filhas. Estava numa situação um bocadinho mais precária, porque era difícil encontrar apartamentos para as quatro, com uma renda suportável, isto foi mesmo uma oportunidade de vida", disse.
Viviam as quatro num T0 e estiveram à espera daquela chave um ano, "uma sorte".
"Eu, por acaso, acho que tive muita sorte, porque eu entreguei os papéis faz precisamente agora em agosto um ano. Em fevereiro ligaram-me a perguntar se eu queria uma casa nova e eu, claro, disse que sim", contou.
E de fevereiro até esta terça-feira "foi uma ansiedade, sempre a ver quando é que a casa ficava pronta, ficou hoje", referiu Rita.
O primeiro jantar na nova casa ainda não está decidido, até porque, disse Rita, "a casa não tem nada", então, brincou, "se calhar vai ser no chão e umas pizas encomendadas".
Para Ana Ferreira, 42 anos e dois filhos, a chave que esta terça-feira recebeu é "ainda um momento por acreditar", após anos complicados: "A minha vida deu uma volta muito grande e, sem possibilidades de arrendar uma casa em condições, vivi, por favor, numa casa de um familiar, sem grandes condições, com muita humidade, chão e paredes degradadas, pequena".
Ana esperou dois anos por esta chave. "Estou muito grata, foi até rápido. Isto representa bem-estar para os meus filhos e saúde, porque a longo prazo a situação em que estávamos ia complicar. Agora vamos renascer num novo lar com todas as condições", explicou.
Quando entrar na nova casa, Ana disse que se vai "sentar no chão da sala e olhar para tudo", até porque ainda não viu a casa: "A minha filha está aqui, o mais pequenino não veio, tem 3 anos, mas a minha filha emocionou-se e está supre feliz porque finalmente vai ter um quarto em condições para ela", salientou.
Aos 73 anos, Maria Soares lamenta sair da casa antiga, onde "não tinha condições" mas gostava do sítio. Esta terça-feira, recebeu as chaves da nova casa com a filha, Teresa: "Os meus pais esperaram mais de 20 anos e agora o meu pai está acamado e nem um quarto de banho interior tinham", contou.
Para esta mãe e filha, o sentimento é de "felicidade dupla", porque vão ser vizinhas. Teresa pode continuar a cuidar dos pais, "mas cada uma na sua casa", até porque vivia com o marido e o filho num anexo da casa dos pais.
"Agora tudo vai ser diferente", vaticinou Teresa.
Estas novas habitações têm uma característica "especial" para a realidade do concelho. "No caso deste conjunto habitacional, o do Flor de Infesta, tem uma característica especial porque para além de termos construído estas habitações, fizemos a recuperação de antigos edifícios", disse a presidente da Câmara, Luísa Salgueiro.
E explicou: "Estes edifícios tinham estrutura, eram umas carcaças abandonadas no centro de São Mamede de Infesta e estiveram assim décadas. A Câmara comprou-os e adaptou as tipologias e temos assim 105 casas e oito lojas", descreveu a autarca.
Com os novos 512 fogos habitacionais, "Matosinhos elevou para 6% a percentagem de habitação púbica" e a autarquia tem já previsto mais investimento.
"O financiamento PRR terminou, ainda estamos a aguardar as medidas nacionais para se lançar uma nova fase de construção de habitação, mas nós já adjudicamos nova construção porque fomos à banca, pedimos empréstimo, temos capacidade financeira, pedimos empréstimo, vamos executando e quando o financiamento nacional vier já temos o trabalho em execução", salientou Luísa Salgueiro.
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