Sindicatos e ministério ainda só negociaram o primeiro tema da ECD sobre o "Perfil do docente, Direitos, Deveres e Garantias" e texto poderá ser sempre alvo de ajustes.
O Ministério da Educação acredita que os receios dos professores sobre o novo estatuto da carreira irão desaparecer quando o diploma estiver concluído, garantindo que a tutela a tratará como "uma carreira especial".
No final de um dia de reuniões com as 12 estruturas sindicais representativas dos professores, o secretário de Estado Adjunto e da Educação, Alexandre Homem Cristo, mostrou-se confiante com o processo de revisão do Estatuto da Carreira Docente (ECD).
Sindicatos e ministério ainda só negociaram o primeiro tema da ECD sobre o "Perfil do docente, Direitos, Deveres e Garantias" e este texto poderá ser sempre alvo de ajustes durante todo o processo negocial.
Depois da apresentação de uma primeira proposta em meados de dezembro, a tutela recebeu várias sugestões de melhoria dos sindicatos que foram acolhidas e, hoje, "10 das 12 estruturas sindicais" concordaram com o novo texto, contou Alexandre Homem Cristo, apontando o STOP e a Fenprof como as duas organizações mais reticentes.
O novo texto passou a sublinhar que os professores têm o direito ao descanso e que têm uma carreira com um regime especial, que não pode ser confundida com a careira geral da Administração Pública, afirmou o secretário de Estado.
"Se não fosse uma carreira especial não estaríamos aqui a negociar um estatuto com as suas particulares, mas achámos que era importante estar mais explicitado", disse, acrescentando que os contributos dos sindicatos tinham, sobretudo, a preocupação de salientar o caráter especial e de autonomia pedagógica dos docentes.
No entanto, a Federação Nacional dos Professores (Fenprof) continua com dúvidas no que toca à garantia de a carreira docente ser especial, uma vez que há uma referência ao Referencial de Competências para a Administração Pública (RECAP), alertou um dos secretários-gerais da Fenprof.
"Há uma discordância de fundo" porque "há um artigo que continua a remeter para o RECAP", disse Francisco Gonçalves no final da reunião, sublinhando que a Fenprof só se pronunciará se concorda com o novo ECD no final de todo o processo negocial.
A outra falha, na opinião da Fenprof, é não estar registado "o direito à negociação coletiva como um dos direitos fundamentais dos professores", acrescentou o sindicalista, reconhecendo que a nova proposta mostra "algumas aproximações do ministério".
O secretário de Estado acredita que "muitos dos aspetos que geraram mais dúvidas ou, pelo menos, alguma resistência vão ser resolvidos futuramente" quando as negociações se começarem a debruçar nos temas mais a fundo.
Neste momento, em que as matérias ainda não estão tão explicitas, o pouco que está escrito "gera mais dúvidas do que discordâncias, mas acredito que poderão ser esclarecidas quando avançarmos nos outros temas", defendeu Alexandre Homem Cristo.
O Sindicato Independente de Professores e Educadores (SIPE) considerou que, de uma forma geral, "o documento melhorou bastante", segundo palavras da presidente Júlia Azevedo.
No final da reunião, Júlia Azevedo salientou o facto de a nova proposta trazer "reforçada a autonomia e reconhecimento da profissão" e de agora "os direitos e deveres ficarem mais equilibrados".
O ponto que mais preocupava os docentes -- a possibilidade de acabar com a carreira especial docente - também foi esclarecido para presidente da SIPE, que saiu do encontro com a promessa de que "não será aplicado o RECAP para o recrutamento, avaliação e formação docente".
Júlia Azevedo lamentou apenas que o direito à negociação sindical não esteja previsto na nova proposta do MECI.
Por causa do ECD, os sindicatos regressam ao ministério a 14 de janeiro para uma reunião em que estará presente também o ministro da Educação.
Alexandre Homem Cristo explicou que este será mais um encontro para ouvir as propostas dos sindicatos, que servirão de base para a tutela apresentar depois uma proposta, que será então alvo de negociações.
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