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"Nós vivemos um tempo de grande exigência, de um desafio extremo, estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do Rio Mondego", disse.
O primeiro-ministro, Luís Montenegro, admitiu hoje que se está no limiar da capacidade para conter as águas do Rio Mondego mas garantiu que tudo o que pode ser feito está a ser feito, pedindo tranquilidade.
"Nós vivemos um tempo de grande exigência, de um desafio extremo, estamos no limiar da capacidade possível para conter estas águas do Rio Mondego, e, portanto, a palavra é simultaneamente de tranquilidade, porque tudo o que pode ser feito está a ser feito, incluindo a medida preventiva mais extrema que é a evacuação", afirmou.
O primeiro-ministro participou hoje numa reunião nas instalações da Agência Portuguesa do Ambiente (APA), em Coimbra, que contou com a presença do Presidente da República, a ministra do Ambiente, os secretários de Estado da Proteção Civil e Administração Local, vários autarcas e o presidente da APA.
A ocasião serviu ainda para fazer uma visita à Ponte do Açude, onde Luís Montenegro falou aos jornalistas, logo depois do Presidente da República.
Debaixo de chuva e depois de observar o caudal do Rio Mondego, o primeiro-ministro assegurou que "tudo aquilo que puder ainda ser salvaguardado vai ser salvaguardado".
"Do ponto de vista da gestão do caudal, do ponto de vista técnico e do ponto de vista da nossa interação com os nossos vizinhos espanhóis, que aliás é uma matéria que vem sendo feita desde o início do mês de janeiro", acrescentou.
Aos jornalistas, o chefe do Governo lembrou que, no dia 29 de janeiro, tinha estado no concelho de Coimbra e já então estavam a ser feitas cheias controladas.
"Estávamos a fazer cheias controladas para termos, nas nossas barragens, maior capacidade de encaixe quando chegassem os dias que chegaram agora de maior exigência", justificou.
A Câmara Municipal de Coimbra informou, terça-feira à noite, que iria retirar entre 2.800 a 3.000 pessoas das suas casas face a risco de cheia no Mondego.
Na altura, a presidente da Câmara Municipal de Coimbra, Ana Abrunhosa, informou que seriam retiradas pessoas de localidades da zona ribeirinha de Torres do Mondego e Ceira (zona de concentração: Casa do Povo de Ceira), da zona de São Martinho do Bispo (Escola Inês de Castro) e Ribeira de Frades, Taveiro, Ameal e Arzila (Escola de Taveiro).
Os locais de acolhimento de Coimbra previamente definidos acabaram por receber 160 pessoas durante a noite, que tinham sido retiradas de zonas de risco.
Às 04:30 de hoje, a escola de Taveiro tinha recebido 22 pessoas, a escola Inês de Castro 43 e o Pavilhão Mário Mexia 95 idosos.
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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