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Moradores do Bairro do Matadouro há 18 meses com cortes de eletricidade dizem viver "um terror na escuridão"

Moradores manifestaram o seu desespero na Assembleia Municipal de Almada. "Falta a luz quatro vezes por semana entre as 8h00 e a 23h00".

10 de fevereiro de 2026 às 23:37

Os moradores do Bairro do Matadouro, no concelho de Almada, dizem que há 18 meses que vivem "um terror na escuridão", com sucessivos cortes de luz, quer em casa quer na rua, sem uma solução à vista.

Na segunda-feira, dois moradores manifestaram na Assembleia Municipal de Almada, no distrito de Setúbal, o seu desespero por continuarem a viver em condições que consideram indignas e sem que a E-Redes resolva o problema de forma definitiva.

"Estou a viver um terror há 18 meses. Um terror na escuridão. Há 18 meses que no Bairro do Matadouro falta a luz quatro vezes por semana entre as 8h00 e a 23h00", disse Ana Rodrigues, uma das moradoras no bairro, localizado junto ao Hospital Garcia de Orta e contíguo ao bairro ilegal da Penajoia.

O assunto já tinha sido levado à reunião de câmara em dezembro de 2025 por moradores do bairro, tendo na altura a E-Redes assegurado, numa resposta enviada à agência Lusa, que estava a realizar uma intervenção estrutural na rede elétrica, que incluía a substituição e o enterramento da rede aérea existente, para criar um circuito independente.

"Esta obra vai eliminar a dependência da alimentação proveniente do circuito com sobrecargas e resolver de forma definitiva as interrupções. A sua conclusão está prevista para dezembro", referia a empresa, acrescentando que continuaria a monitorizar a situação até à conclusão da obra e a intervir sempre que necessário para minimizar os impactos.

A empresa adiantou que as interrupções registadas resultam de sobrecargas nos circuitos que abastecem esta zona, provocadas por ligações ilegais provenientes do Bairro da Penajoia, e que estas situações afetam a estabilidade da rede e exigem intervenções técnicas para restabelecer o serviço.

O Penajoia é um aglomerado habitacional ilegal, instalado em terrenos do Instituto Nacional de Reabilitação Urbana (IHRU), que tem vindo a crescer nos últimos anos.

Contudo, esta terça-feira, dois meses depois destas garantias da E-Redes, os moradores asseguram que continuam a viver com cortes sucessivos de luz, com a agravante de que agora também não há energia elétrica nas pracetas do bairro.

Contudo, os moradores asseguram que, no bairro em frente (Penajoia), a luz não falta.

"Agradeço a vossa empatia e que nos ajudem a repor a luz. Existe em frente um bairro ilegal que é o de Penajoia e eles têm luz. Eu não tenho luz na minha rua e aquele bairro tem discotecas, cabeleireiros e têm luz em casa", disse a moradora.

Também Gonçalo Barros, outro dos moradores do Bairro do Matadouro, manifestou aos deputados municipais e ao executivo camarário, o desespero em que diz viver.

"A minha paciência está no limite. Não vou continuar a pagar renda de casa e a viver num bairro às escuras. Temos as pracetas das Tágides, Paulo da Gama e Alberto Araújo sem luz na rua desde o dia 31 de dezembro", disse Gonçalo Barros, adiantando que a situação esta a afetar pelo menos 500 famílias.

O morador disse que foi lançada uma petição online na qual pedem a constituição de uma comissão parlamentar para analisar a questão do acesso à energia elétrica no Bairro do Matadouro.

"Temos de ter dignidade e essa dignidade passa por ter luz em casa", frisou.

Afirmando que percebe o desespero, a presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, disse aos moradores que o ministro das Infraestruturas e Habitação tinha garantido em janeiro que seria apresentado um plano para resolver definitivamente a questão do bairro de Penajoia e do Raposo, mas esse plano nunca chegou.

Já a deputada municipal do PSD Lina Cristina Gonzalez criticou a autarquia por não ter ainda arranjado uma solução de recurso para estes moradores, nomeadamente colocando geradores até que a situação fique definitivamente resolvida.

O deputado do Chega Bruno Brito alertou para o risco de esta situação vir a resultar numa guerra social se nada for feito, alertando que todos os dias chega material de construção ao bairro de Penajoia.

"Até onde vamos deixar o bairro crescer? Enquanto houver um palmo de terra, não vão parar de construir. Se não fizermos nada o futuro não vai ser bom", disse.

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