Tinha 89 anos.
A artista Alda Rosa, pioneira do 'design' gráfico e editorial em Portugal, morreu na quinta-feira, aos 89 anos, em Lisboa, disse hoje à agência Lusa fonte da família.
De acordo com a mesma fonte, Alda Rosa estava internada há algum tempo no Hospital Curry Cabral, onde veio a morrer na quinta-feira de manhã, na sequência de várias complicações de saúde.
O velório da 'designer', nascida em Braga em 1936, decorrerá entre as 17:00 e as 23:00 de hoje no Edifício Saudade do Cemitério de Carnide, onde será realizada uma cerimónia memorial às 13:00 de sábado, antes da cremação, segundo a família.
Nos anos 1960, Alda Rosa integrou o Núcleo de Arte e Arquitetura Industrial do Instituto Nacional de Investigação Industrial, participando na organização das primeiras Exposições de Design Português, realizadas em 1971 e 1973.
Nestas primeiras exposições de 'design' nacional concebeu as capas dos catálogos e materiais gráficos em colaboração com Maria Helena Matos, Cristina Reis, Anto´nio Sena da Silva e Toma´s de Figueiredo.
Formada em pintura na Escola Superior de Belas Artes, em Lisboa, em 1959, a sua busca por conhecimento levou-a a Inglaterra, onde, entre 1967 e 1970, frequentou o curso de Arte e Design Gráfico no Ravensbourne College of Art and Design.
O seu estilo destacou-se pela estética modernista e minimalista, com ênfase na tipografia e nas formas geométricas dinâmicas.
O início da carreira profissional deu-se no ateliê dos arquitetos Duarte Nuno Simões e José Santa-Rita, colaborando não só em projetos de 'design' gráfico, mas também de interiores.
Entre 1987 e 1989, criou e dirigiu o setor gráfico do Instituto Cultural de Macau, e foi uma das sócias-fundadoras da Associação Portuguesa de Designers, que dirigiu entre 1990 e 1993.
No mesmo período, representou a associação junto do Bureau of European Designers Association, e colaborou também com o conselho consultivo do Museu Nogueira da Silva, em Braga.
Alda Rosa desempenhou funções de assessoria interna na Direção-Geral da Qualidade e, posteriormente, no Instituto Português da Qualidade.
Como representante do Ministério da Indústria, colaborou na instalação do Centro Português de Design, onde foi também consultora.
Ao longo do seu percurso, Alda Rosa dedicou-se ao 'design' gráfico para entidades públicas, sendo responsável por organizar diversos concursos, integrando também júris no setor.
Fascinada pela arte e pela cultura, a partir de 1993 passou a trabalhar como 'designer' gráfica independente, criando catálogos para exposições e eventos de diversos museus portugueses, nomeadamente o Museu José Malhoa, o Museu Nacional do Teatro e o Museu Nacional do Azulejo.
Participou também em cerca de quatro dezenas de exposições, sendo responsável pela conceção gráfica dos respetivos catálogos, entre elas "Artistas portuguesas" (1977), na Sociedade Nacional de Belas Artes, "Teias e Tramas" (1984), no Museu Nacional do Traje, "A Idade do Ferro no sul de Portugal" (1980), no Museu Nacional de Arqueologia, e "Un Éclat Portugais. L'Art de l'Azulejo "(1996), na Fundação Calouste Gulbenkian em Paris, França.
O trabalho editorial na área cultural e institucional ficou marcado por colaborações para editoras como Estampa, Cosmos, Moraes, Plátano, Inapa e Livros Horizonte, entre outras.
Na história do Cinema Novo português, Alda Rosa está ligada ao icónico filme "Os verdes anos", de Paulo Rocha (1963), para o qual escolheu o guarda-roupa.
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