Viticultores protestam contra as dificuldades de escoamento da uva e a venda a baixos preços.
Viticultores percorreram, esta quarta-feira, a pé algumas das principais ruas da cidade do Peso da Régua, acompanhados por um forte dispositivo policial, em protesto contra as dificuldades de escoamento da uva e a venda a baixos preços.
Em Godim ou pela Avenida Diocese de Vila Real, os manifestantes deixaram tratores e carrinhas parados na faixa de rodagem, caminharam para o tabuleiro da ponte rodoviária e foram, depois, parando momentaneamente nas rotundas, congestionando o trânsito, passando pela Estação Ferroviária, pela Avenida João Franco, de onde subiram para a Rua dos Camilos.
Ali, na sede do Instituto dos Vinhos do Douro e Porto (IVDP) deixaram um fardo de palha junto à porta.
"É para quem nos anda a gerir comer", afirmou André Coutinho, do Peso da Régua.
A manifestação foi marcada por um movimento inorgânico e o apelo à participação foi feito através das redes sociais.
Durante o trajeto ouviu-se o hino nacional e a "Grândola Vila Morena", de Zeca Afonso, e nos cartazes e tarjas escreveram "Exigimos aguardente regional", "Não ao arranque da vinha" ou "Não deixem o Douro ir a monte".
Trouxeram também camisolas negras onde se lia "o Douro está de luto" ou "Se um dia ouvires dizer que o Douro esqueci... chora pois nesse dia morri".
"Tenho 35 anos, vivo da vinha, vivo do vinho e não vejo perspetivas de futuro para mim e muito menos vejo para os meus filhos", realçou André Coutinho.
O viticultor juntou-se ao protesto para fazer barulho e reivindicar, para ver se os "políticos olham com preocupação" para os durienses.
"A nossa região vive disto e se não formos nós a lutar ninguém vai lutar por nós, porque lá em baixo não querem saber de nós para nada", afirmou, acrescentando que, até este momento, ainda não tem a quem vender as uvas.
Referiu que algumas das uvas beneficiadas, destinadas à produção de vinho do Porto, têm venda assegurada, mas o resto não. "E muitos dos que estão aqui também não sabem a quem vender", apontou.
André Coutinho disse ainda que quem tem onde colocar as uvas "não sabe quanto vai receber por elas".
"E não sabe sequer se vai receber, porque há muita gente que promete e que depois chega ao fim e não cumpre", referiu.
José Fonseca tem vinha e é empreiteiro agrícola em Santa Marta de Penaguião e trouxe uma buzina na mão para fazer barulho.
"Estou a representar os agricultores que tiverem medo de vir para aqui também. Conversa de café há muita e se fossem todos unidos acho que as coisas seriam diferentes", disse, confessando que esperava ver "muita mais gente" no protesto desta quarta-feira.
Os que se viram, esta quarta-feira, são, frisou, "uma gota no oceano" para os viticultores que há no Douro. "São meia dúzia deles a trabalhar contra o mundo", salientou.
Quinze dias depois, Esmeralda Pinto, da Galafura, regressou à Régua para participar em mais uma manifestação.
"E se for preciso volto para a semana outra vez, enquanto o primeiro-ministro não se virar para nós", sublinhou, apontando como principais preocupações o corte no benefício e o receio de ter de deixar as uvas nas videiras.
E depois, questionou, "o que o viticultor vai fazer?".
"O agricultor já está com a corda ao pescoço, já não aguentamos mais", garantiu.
O benefício, que é a quantidade de mosto que cada produtor pode destinar à produção de vinho do Porto, foi de 90.000 pipas (550 litros cada) em 2024 e 104.000 em 2023 e, para este ano, o comércio propôs, no conselho interprofissional do IVDP, a redução para as 68.000 pipas.
O quantitativo de benefício deve ser fixado na próxima reunião do interprofissional, que acontece na sexta-feira, no Peso da Régua, distrito de Vila Real.
A GNR mobilizou um forte dispositivo policial para acompanhar o protesto dos produtores da Região Demarcada do Douro.
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