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Novas recomendações pretendem evitar uso excessivo de rótulos preventivos de alergénios

Em causa está a inclusão nos rótulos de vários alimentos da referência "pode conter".

10 de julho de 2026 às 16:05

A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) emitiu novas orientações sobre a "rotulagem preventiva de alergénios" para evitar que seja utilizada de forma desnecessária, impedindo consumidores alérgicos de adquirem alimentos seguros.

Em causa está a inclusão nos rótulos de vários alimentos da referência "pode conter", que foi criada como uma camada adicional de proteção para os consumidores alérgicos, mas que tem sido utilizada de forma extensa e, por vezes, mesmo desnecessária pelos fabricantes, adiantou a FAO num comunicado esta sexta-feira divulgado.

Segundo agência das Nações Unidas para a segurança alimentar, este uso excessivo faz com que as pessoas com uma alergia alimentar deixem de comprar alimentos que são perfeitamente seguros ou, em alternativa, ignorem completamente a rotulagem.

Além disso, este tipo de rotulagem não é regulamentado em muitos países e pode ser utilizado de forma inconsistente, dificultando aos consumidores a possibilidade de saberem quando existe um risco real de terem uma reação adversa, referiu.

A FAO reconheceu que, durante a produção de alimentos, pequenas quantidades de um alergénio podem, por vezes, acabar no produto final.

"Uma barra de chocolate, por exemplo, pode ser produzida com o mesmo equipamento utilizado para fabricar produtos que contêm frutos secos", explicou o comunicado, avançando que esse processo é conhecido como "contaminação cruzada por alergénios".

Quando existe essa possibilidade, os fabricantes utilizam frequentemente rótulos de precaução, como "pode conter amendoins" ou "pode conter frutos secos", avisos que pretende sinalizar ao consumidor a possível presença não intencional de um alergénio que não integra a lista de ingredientes.

Nos últimos anos, a FAO e a Organização Mundial da Saúde (OMS) promoveram consultas internacionais de especialistas, envolvendo alergologistas, clínicos, cientistas, reguladores e avaliadores de risco, que examinaram as provas sobre as alergias alimentares e avaliaram como ocorre a "contaminação cruzada por alergénios" durante a produção, o processamento e o manuseamento dos alimentos.

"Concluíram que, quando os produtores alimentares aplicam boas práticas de higiene e fabrico, podem praticamente eliminar a contaminação cruzada", assegurou a FAO.

Perante isso, os especialistas consideraram que a rotulagem preventiva de alergénios poderia refletir melhor o risco real de um alimento, levando a que, pela primeira vez, fossem definidos limites baseados no risco e na ciência, abaixo dos quais a maioria dos consumidores alérgicos não sofrerá uma reação adversa.

As suas conclusões serviram de base científica para as novas orientações adotadas pela comissão especializada da FAO, que descrevem os princípios gerais que a indústria alimentar deve aplicar para prevenir ou minimizar a presença não intencional de alergénios alimentares causada por contaminação cruzada.

"Desta forma, é possível reduzir a utilização da rotulagem preventiva de alergénios, de modo que esta seja aplicada apenas quando estritamente necessário, restrita a situações em que a presença não intencional de alergénios não possa ser prevenida ou controlada", salientou a agência da ONU que promove a segurança alimentar.

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