Colangite Biliar Primária causa inflamação do fígado.
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Há um novo fôlego na luta contra a Colangite Biliar Primária. O mais recente remédio desenvolvido aguarda a aprovação da Autoridade Nacional do Medicamento (Infarmed), mas já se encontra disponível em casos especiais, quando requisitado por médicos.
Ácido obeticólico, assim se chama a nova esperança para quem sofre deste problema, uma doença rara que resulta da inflamação crónica dos canais biliares do fígado. Luísa Pereira, diretora clínica da Casa dos Marcos - Centro de Recursos em Doenças Raras, criado pela Associação Raríssimas - explica que a Colangite Biliar Primária dá origem a uma situação em que os canais biliares ficam "inflamados pelo processo auto-imune da doença que vai criar uma inflamação hepática que pode levar à destruição do fígado, fibrose e consequentemente à insuficiência e à cirrose".
Condições que a nova terapêutica vem agora travar. "Durante 20 anos, a medicação que existia não respondia satisfatoriamente em 35% dos casos.
O novo medicamento promete melhorar o fluxo da bílis, impedir a inflamação e a obstrução dos canais biliares", explica a médica.
Em suma, o ácido obeticólico vai retardar a progressão da doença que, em casos extremos, só pode ser tratada através do transplante de fígado.
A Colangite Biliar Primária é responsável por 9 por cento do total de transplantes de fígado em toda a Europa e atinge maioritariamente mulheres, a partir dos 40 anos, embora possa ser detetada em idades bem mais precoces.
"Doença pode levar a um transplante"
CM - Quais são os sintomas da Colangite Biliar Primária?
Luísa Pereira – Começa habitualmente por haver um prurido muito intenso, muitas vezes associado a temperaturas elevadas, dor abdominal, derivada das alterações no fígado, e muito cansaço.
– Quais são as limitações?
– Por norma, do ponto de vista sintomático, o doente vai sempre sentir impacto. Os sintomas podem ser bastante exuberantes e conduzir até ao absentismo laboral. Só a terapêutica consegue controlar os sintomas.
– Sendo uma doença sem cura, qual a esperança média de vida de um doente não tratado?
– O tempo médio estimado desde o diagnóstico até à morte é de apenas 15 anos, sem tratamento. Quando controlada de forma inadequada, pode levar à necessidade de um transplante.
"Assim que sentia comichão, coçava-me até fazer sangue"
Dulce Mota estava na casa dos 30 anos e tinha sido mãe há pouco tempo quando foi diagnosticada com Colangite Biliar Primária. "Para mim foi um bicho de sete cabeças. Como podia ter cirrose, se bebia apenas uma imperial de vez em quando? Foi aí que o médico me explicou que uma coisa é a cirrose alcoólica e outra coisa é a cirrose de que eu sofria", conta Dulce ao Correio da Manhã
Um dos sintomas era o forte prurido no corpo. "Assim que sentia a comichão, pegava numa escova de cabelo e coçava-me até fazer sangue, nos pés ou nos braços. O que me aliviava mesmo era encher a banheira de água fria e colocar-me lá dentro".
As análises apresentavam valores anormais e o cansaço aumentava. "Tinha os valores do fígado muito elevados e de ano para ano sentia-me mais cansada, até que em 2009 foi a gota de água". Dulce Mota foi uma das doentes de Colangite Biliar Primária que teve de recorrer a um transplante de fígado.
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