Sistema entrará em funcionamento no primeiro trimestre do próximo ano.
A presidente e CEO do Metropolitano de Lisboa, E.P.E., Cristina Vaz Tomé, afirmou esta sexta-feira que o novo sistema de sinalização automatizado que entrará em vigor com a nova linha circular permitirá no futuro chegar à condução sem maquinista.
"A propósito da nova linha da circular, estamos a implementar um sistema de controlo e comunicação entre comboios, que a sigla inglesa é CBTC [Communications-Based Train Control, tradução livre: Controlo de Comboios Baseado na Comunicação], que é um novo sistema de sinalização do Metro", disse à agência Lusa a presidente do Metropolitano de Lisboa, Cristina Vaz Tomé.
A responsável falou à agência Lusa no final de um debate sobre "O poder da inovação", promovido pelo Museu do Caramulo e a Associação Empresarial da Região Viseu (AIRV), na serra do Caramulo, em Tondela, no distrito de Viseu.
Este sistema, disse, permite parar o metro sem ordem humana e entrará em funcionamento no primeiro trimestre do próximo ano, com a inauguração da nova linha circular, que prevê o prolongamento da estação do Rato (da linha Amarela) à estação do Cais do Sodré (linha Verde) com duas novas estações: Estrela e Santos.
Ainda assim, Cristina Vaz Tomé disse que está já em funcionamento a título experimental, exemplificando com paragens que ocorreram entre as estações Praça de Espanha e Sete Rios na altura da tempestade Kristin.
"Lisboa tem muitos lençóis freáticos e há zonas em que a probabilidade de a água entrar por baixo é elevada e temos muitas bombas ao longo de todas as linhas para drenar essa água. Se, por qualquer razão, essa água começa a exceder um determinado nível, esse sistema deteta que aquilo é um risco e para", esclareceu.
Esta nova sinalização faz parte da estratégia do Metro que está "a evoluir para uma nova geração desse sistema de segurança que está a ser implementado" e que "pode permitir a automatização das linhas, ou seja, circulação de comboios sem maquinistas".
"Mas não é agora, ainda não há data definida", afirmou Cristina Vaz Tomé.
Até porque "há um investimento que tem de ser feito" e um conjunto de outros fatores que fazem parte desta inovação como "o laboral e político", como disse no debate em que participou.
À agência Lusa disse ainda que "a ideia é requalificar as pessoas, é encaixá-las noutras funções" porque, no seu entender, "vão continuar a ser importantes".
Além disso, considerou que devem surgir novas funções, mas que para já "ainda não é possível de definir".
"São os processos de inovação. Mas o objetivo é desenvolver carreiras e criar novas carreiras e, no fundo, as pessoas serem integradas nessas novas carreiras", afirmou.
Cristina Vaz Tomé disse ainda que este é o caminho como já acontece noutros países e, a título de exemplo, falou de Espanha, mais concretamente de Barcelona, em que isso já acontece.
Para que aconteça em Lisboa, "o aceso às linhas tem de estar todo fechado e, atualmente, é aberto" porque, "para o metro não ter maquinista, tem que haver proteção na plataforma, antes de entrar no metro", exemplificou.
O debate, moderado pelo empresário e presidente da AIRV, João Cotta, contou ainda com a participação do presidente da Renova, Paulo Pereira da Silva, e o presidente da Movecho, Luís Abrantes.
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