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O que é a peste pneumónica e quão perigosa é?

Uma mulher na Rússia morreu e suspeita-se que tenha sido infetada com esta forma de peste que é considerada a mais perigosa.

07 de outubro de 2026 às 09:46

Uma investigadora russa de 28 anos que trabalhava num laboratório especializado no estudo da peste, na cidade russa de Irkutsk, morreu . Semanas antes tinha tido um acidente com material biológico potencialmente perigoso. Várias outras pessoas do laboratório na Sibéria estão em quarentena. Existem suspeitas que possa ter morrido devido a peste pneumónica. 

O departamento de estado norte-americano para a prevenção e controlo de doenças afirma estar a monitorizar a situação de perto, bem como a Organização Mundial de Saúde que afirmou esta segunda-feira estar em contacto com as autoridades de saúde russas para investigar o caso.

Christian Lindmeier, porta-voz da Organização Mundial da Saúde (OMS), afirmou, esta terça-feira, que um possível caso de peste pneumónica na Rússia apresenta, até o momento, um risco "muito baixo" para fora do país. A morte da técnica de um laboratório está a ser investigada e, segundo a OMS, as pessoas que estiveram em contacto com a mulher não apresentam, até ao momento, sintomas, apesar de estarem em quarentena.

É uma infeção letal que afeta os pulmões e é causada pela bactéria Yersinia pestis. É considerada a forma mais virulenta da peste, ou seja, com maior capacidade de disseminação.

E entre as formas de peste que advém desta bactéria (incluindo a peste bubónica), a que afeta os pulmões é a mais letal. As outras duas são a peste bubónica (que afeta os nódulos linfáticos) e a peste septicémica que afeta o sangue.

A peste pneumónica pode surgir em pacientes infetados com um dos outros tipos de peste.

A Organização Mundial de Saúde refere que a bactéria Yersinia pestis normalmente é encontrada em pequenos mamíferos como roedores ou ainda em pulgas.

É transmitida de animais para humanos sobretudo através da picada de pulgas infetadas ou de mordidelas dos mamíferos portadores da bactéria. Pode também ser transmitida para outras pessoas através de partículas respiratórias quando um indivíduo infetado espirra ou tosse e as partículas viajam pelo ar.

A última morte por peste pneumónica nos Estados Unidos ocorreu no Arizona, em julho de 2025, segundo as autoridades de saúde. O jovem trabalhava com gatos doentes e acredita-se que tenha contraído a infeção através desses animais. Nenhuma das outras pessoas expostas aos gatos reportou ter adoecido.

O último caso detetado de transmissão entre pessoas foi em 1924, nos Estados Unidos, durante um surto em Los Angeles.

No entanto, existem entre 2.000 e 3.000 casos de infeção por peste anualmente no mundo inteiro, principalmente em África. 

As partículas da bactéria assentam nos pulmões e podem causar pneumonia aguda, dificultando a capacidade de respirar. Os sintomas podem começar a surgir passadas 24 horas da infeção.

Outros sintomas incluem febre, tremores, dores de cabeça, dores de corpo, tonturas, fraqueza, fatiga, náusea, vómitos e diarreia.

Sim. Se não for detetada e tratada de forma imediata pode revelar-se fatal.

A prática mais comum é através de antibióticos. Os mais comuns são a ciprofloxacina, a levofloxacina, a moxifloxacina, a gentamicina e a estreptomicina. Os doentes que recebem antibióticos nas primeiras 24 horas após a infeção têm maiores probabilidades de sobreviver, mas não é garantido que consigam ultrapassar a doença.

Os médicos podem ainda prestar cuidados de suporte, fornecendo oxigénio suplementar e fluidos, e deixando o paciente repousar.

Embora haja vacinas contra a peste desde o século XIX, não é claro que ofereçam proteção contra a peste pneumónica.

A OMS recomenda a vacinação apenas para grupos de risco elevado, como o pessoal de laboratório que está constantemente exposto ao risco de contaminação.

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