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MICRONOVELA

Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Pais da bebé Matilde mantêm donativos na conta solidária

Mais de 2,5 milhões de euros em doações continuam no banco.

29 de agosto de 2019 às 01:30

"Meus queridos, os donativos continuam na conta da Matilde", lê-se na publicação assinada por Carla Martins e Miguel Sande, pais de Matilde, a criança de apenas quatro meses que luta contra a forma mais grave de Atrofia Muscular Espinhal (AME), deixada durante a madrugada de quarta-feira, na página de Facebook ‘Matilde, uma bebé especial’.

A conta atingiu mais de 2,5 milhões de euros em donativos. O montante destinava-se à compra do medicamento Zolgensma, posteriormente comparticipado pelo Estado, e administrado na terça-feira a duas bebés: Matilde e Natália.

"Esta conta foi aprovada pelo MAI [Ministério da Administração Interna] e a sua utilização é monitorizada", asseguram os pais de Matilde, na publicação em que garantem, "em sofrimento", ter iniciado contactos com outras mães, tendo em vista o apoio de "outros bebés e crianças, também especiais, com diferentes doenças".

"Aguardamos confirmação para avançar com ajudas a duas famílias", explicam, sublinhando a particularidade do apoio prestado a cada criança. "Nunca demos as escolher entre as necessidades (terapias e equipamentos), não se trata de ajudar mais ou menos ninguém, são as mães que nos dizem o que precisam", defendem. O apoio vai avançar junto de crianças com AME do tipo II.

Natália e Matilde já tiveram alta e estão a recuperar em casa

Matilde Sande, de 4 meses, e Natália Silva, de 11, que na terça-feira receberam tratamento com o ‘medicamento milagre’, tiveram esta quarta-feira alta médica, após o almoço, encontrando-se a recuperar em casa e a reagir positivamente. Ao CM, Andrea Silva, mãe de Natália, confidencia que a criança "está a reagir bem". No Facebook, os pais da bebé Matilde assumem a voz da criança: "Estou bem disposta", adiantam.

Conta encerrada não aceita transferências

Ao CM, a Secretaria Geral da Administração Interna esclarece que autorizou "a angariação de receitas", luz verde que teve em conta "os relatórios médicos comprovativos da doença da criança" e "insuficiência económica" dos pais de Matilde. "Em termos de fiscalização existe comunicação da CGD [Caixa Geral de Depósitos] do encerramento da conta e do saldo da mesma". Esta quarta-feira já não era possível transferir dinheiro para a conta.

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