No Parque da Pena caíram cerca de 92 árvores, em Monserrate 52 e cinco no Palácio Nacional de Sintra.
Centena e meia de árvores caíram nos parques da Pena e de Monserrate e nos jardins do Palácio Nacional de Sintra, em consequência da depressão Kristin, incluindo algumas espécies florestais icónicas da serra, anunciou esta sexta-feira a Parques de Sintra.
"Temos no Parque da Pena a queda de cerca de 92 árvores, em Monserrate de 52 e cinco no Palácio Nacional de Sintra. Em Monserrate foram identificadas algumas árvores icónicas que não resistiram ao temporal, como o pinheiro-do-Oregon, ou o grande cedro-do-Buçaco, entre outros, como o cipreste-da-Califórnia e uma Tília", avançou João Sousa Rego.
Em declarações à Lusa, o presidente do conselho de administração da Parques de Sintra-Monte da Lua destacou ainda "duas árvores em jardim histórico" do Palácio Nacional de Sintra "que também não resistiram e que terão de ser desmontadas".
"Relativamente ao património edificado, tivemos danos menores, nomeadamente no Palácio Nacional de Sintra, com telhas que caíram", porque voaram devido aos ventos na vila, referiu Sousa Rego, explicando que, como a empresa "tem equipas permanentes de manutenção e conservação e restauro, no próprio dia" conseguiu "evitar ter água de forma significativa a entrar dentro do palácio".
"Mas estas ações de manutenção são continuadas e, neste momento, temos equipas em campo nas coberturas do Palácio Nacional de Sintra", frisou.
Segundo um levantamento das espécies afetadas no Parque da Pena, entre as 92 árvores caídas, adultas de dimensão assinalável, estão vários exemplares de cedro-do-Buçaco, um cedro-do-Líbano e vários cedros-do-Japão, duas sequoias, bem como duas árvores notáveis "severamente afetadas", a 'Thuja plicata Donn ex D. Don', junto ao Chalet da Condessa d'Edla, e o carvalho-dos-pântanos, junto à Abegoaria.
No Parque de Monserrate, entre 26 árvores notáveis, possivelmente centenárias pela sua dimensão, do total de 52 que caíram estão um abeto-do-Cáucaso, um castanheiro, cinco medronheiros, uma urze-arbórea, um carvalho-cerquinho, uma azinheira, dois sobreiros, uma tuia-gigante, uma palmeira-moinho-de-vento, além de Taxódio-do-México, com a copa severamente afetada.
"Em Monserrate houve danos com algumas árvores mais icónicas. No entanto, não foram danos espalhados [como] no Martinho, foi mais gravoso no sentido em que foi mais transversal ao parque", notou Sousa Rego, referindo-se aos efeitos da depressão Martinho, que ocorreu em março de 2025 e afetou principalmente o perímetro florestal, levando à queda de 98 mil árvores em 280 hectares dos mil sob gestão da Parques de Sintra.
No entanto, o dirigente assegurou que a empresa "tem um plano de salvaguarda e valorização do Parque de Monserrate" e "vai fazer as necessárias replantações" neste "jardim romântico".
"Nas áreas geridas pela Parques de Sintra, quer tapadas florestais e quer jardins históricos, nós ainda só conseguimos avançar um balanço provisório, tendo em conta que ainda estamos a fazer o levantamento de todos os danos que possam ter existido na zona do perímetro florestal", salientou João Sousa Rego.
O responsável da sociedade de capitais públicos referiu que no perímetro florestal, com uma dimensão muito significativa da área, para fazer uma avaliação técnica rigorosa tiveram "que esperar por condições para levantar 'drones', condições para as equipas técnicas poderem atravessar o perímetro em segurança e fazer a avaliação, e "nos próximos dias" terão o "relatório técnico desta área florestal".
"Aquilo que nós estamos a antecipar e muito fruto das alterações climáticas é que estas tempestades estão a ter cadências entre elas menores, e isso vai exigir um reforço da capacidade de resposta e formas diferentes de trabalhar que a empresa já se está a adaptar para conseguir manter a salvaguarda do património", vincou.
Para já, os acessos ao Parque de Monserrate e ao Convento dos Capuchos permanecem encerrados, devido às árvores caídas sobre as vias, e foram reabertos os acessos ao Parque da Pena e ao Castelo dos Mouros.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
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