Na homilia da missa do dia de Páscoa o patriarca direcionou o apelo à sociedade em geral: "o mundo de hoje não precisa apenas de soluções técnicas; precisa de corações ressuscitados".
O patriarca de Lisboa Rui Valério lembrou este domingo aos fieis que o "mundo precisa de corações ressuscitados" e não apenas de "soluções técnicas", convidando à renovação interior para que vivam "a fé com coragem e esperança".
Na homilia da missa do dia de Páscoa, celebrada na Sé Patriarcal, em Lisboa, o patriarca direcionou o apelo à sociedade em geral: "o mundo de hoje não precisa apenas de soluções técnicas; precisa de corações ressuscitados".
Para Rui Valério, "só uma humanidade aberta ao transcendente" pode libertar-se "do medo, do egoísmo, do vazio e da morte interior", concluindo com um convite pessoal a cada crente: "ver os sinais... e acreditar".
Afirmou que "a Ressurreição de Cristo é o centro da história" e a resposta para "o vazio espiritual e existencial" que, disse, marca profundamente o mundo contemporâneo.
Perante uma igreja cheia de jovens e menos jovens e muitos estrangeiros, o patriarca iniciou a reflexão, sublinhando que a Páscoa "não é um dia entre outros dias", mas o momento em que "ressuscita a esperança, o sentido da vida e o destino eterno da humanidade".
Ao longo da homilia, Rui Valério apresentou uma leitura crítica da sociedade atual, marcada, no seu entender, por "um profundo materialismo" que reduz a vida "ao útil, ao imediato e ao visível".
O fenómeno, alertou, conduz a um "analfabetismo humano e espiritual", tornando o ser humano incapaz de responder às perguntas essenciais: "Para quê viver? Para onde caminhar? Qual o sentido da vida?"
O patriarca afirmou que o esquecimento de Deus se traduz num "esquecimento do homem pelo homem", gerando uma "indiferença generalizada perante o sofrimento, sobretudo dos mais frágeis".
Essa indiferença, disse, "empobrece a alma e obscurece o sentido da vida".
Citando São Paulo, o patriarca sublinhou que "aspirar às coisas do alto" não significa fugir do mundo, "mas iluminá-lo com um horizonte mais amplo, capaz de devolver profundidade e verdade à vida humana".
Rui Valério lembrou ainda que a Páscoa não é apenas uma celebração litúrgica, mas um convite a "uma mudança concreta de vida", considerando que essa renovação transforma "o modo de olhar a vida, de enfrentar o sofrimento, de amar e de esperar".
O patriarca apelou também para um abandono do "fermento velho" --- pecado, mentira, mediocridade espiritual --- para viver com "pureza e verdade", numa referência à imagem bíblica dos "pães ázimos".
No final da homilia, Rui Valério ainda se dirigiu aos fiéis em inglês, espanhol, francês e italiano.
Foi ainda assinada no fim da missa, a nova Carta Pastoral intitulada: "Levanta-te, Igreja de Lisboa, e resplandece em Cristo".
O documento propõe, aos diocesanos, uma reflexão abrangente sobre a identidade, a missão e a renovação espiritual e pastoral da Igreja de Lisboa.
O texto insere-se no contexto da celebração da Páscoa, do Jubileu da Encarnação de 2025 e da preparação para os dois mil anos da Redenção, em 2033.
Com um "forte acento missionário", o documento convida a igreja a "recentrar-se em Jesus Cristo, Salvador da humanidade" e a assumir com "renovado dinamismo a missão evangelizadora, num contexto marcado por múltiplas crises humanas, sociais, culturais e espirituais".
Ao longo da carta, Rui Valério identifica desafios concretos do tempo presente -- como o vazio interior, a solidão, a polarização social, a precariedade económica, a crise da habitação, o envelhecimento demográfico, a guerra e o afastamento da prática religiosa.
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