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Herança de sangue Há heranças que não se escolhem.

Patriarca de Lisboa diz que diocese vai cumprir decisões de Roma sobre temas fraturantes da Igreja

"Palavra da Igreja é uma palavra universal, uma palavra que tende a iluminar o homem como homem, independentemente das suas particularidades ideológicas", acrescentou Rui Valério.

17 de janeiro de 2026 às 07:37

O patriarca de Lisboa prometeu este sábado que a sua diocese irá sempre cumprir as decisões do Papa no final do processo sinodal, um mecanismo de consulta das bases para discutir temas fraturantes que hoje dividem o mundo católico.

Evitando falar diretamente sobre questões polémicas como o celibato dos padres, a ordenação das mulheres ou o papel dos divorciados, Rui Valério remeteu para Leão XIV a decisão final quanto ao processo sinodal, assegurando a fidelidade total a Roma.

"É a ocasião para dizer uma afirmação de princípio, e esta é inegociável: Lisboa estará sempre, totalmente integralmente em comunhão com Roma", disse, acrescentando: "O que são as indicações do Santo Padre é aquilo que Lisboa vai executar e vai seguir".

Sobre os temas mais polémicos, Rui Valério preferiu não se pronunciar, salientando que o processo sinodal tem sido para auscultar as opiniões dos movimentos de base.

Em contrapartida, o patriarca recorda que o sínodo é também um regresso à "dimensão missionária da Igreja em ordem a uma renovação que passa pela evangelização" da sociedade.

Hoje, a "missão da Igreja tem algo mais do que se debruçar sobre polarizações ou tensões" internas e na sociedade, mas sim uma aposta na divulgação dos valores católicos como exemplo social.

O objetivo é que "haja sempre um maior número de pessoas a chegar à Igreja e uma Igreja cada vez mais eficaz a chegar às pessoas com a mensagem de Jesus Cristo".

Por isso, Rui Valério recusa reduzir o papel da Igreja ao discurso político e às suas reações.

O discurso da Igreja não tem logo que "levar a etiqueta de que pertence à esquerda ou à direita, a mensagem do Evangelho, que é a substância da mensagem da Igreja, vai muito além disso, é muito mais universal e muito mais abrangente".

E é esse foco na evangelização permanente que faz com que a igreja continue a ser escutada, "porque é uma voz que continua a ter substância e que continua a ter a capacidade de inspirar uns e outros"

Nesse sentido, a "personagem singular" do Papa Francisco foi inspiradora e reforçou o diálogo da Igreja com o mundo contemporâneo, um legado que Leão XIV está a continuar, considerou.

"A palavra da Igreja é uma palavra universal, uma palavra que tende a iluminar o homem como homem, independentemente das suas particularidades ideológicas", acrescentou Rui Valério.

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