Apesar do empenho e da ajuda do Exército, a autarquia de Figueiró dos Vinhos não deverá ter mais de 70 a 75% dos 264 quilómetros de estradas e caminhos florestais transitáveis no início do verão.
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Os municípios de Figueiró dos Vinhos e Pedrógão Grande, no norte do distrito de Leiria, dois dos mais afetados pela depressão Kristin, mantêm equipas permanentes na desobstrução das estradas florestais a dois meses da fase crítica de incêndios.
Apesar do empenho e da ajuda do Exército, a autarquia de Figueiró dos Vinhos não deverá ter mais de 70 a 75% dos 264 quilómetros de estradas e caminhos florestais transitáveis no início do verão.
Já o concelho vizinho de Pedrógão Grande, com o apoio do Instituto da Conservação da Natureza e Florestas (ICNF) e da Proteção Civil Nacional, prevê concluir os trabalhos de desobstrução até final deste mês de abril.
Até ao momento, o município de Figueiró dos Vinhos já limpou e desobstruiu mais de 100 quilómetros de estradas e caminhos florestais, dos 264 quilómetros que estavam destruídos e intransitáveis, disse à agência Lusa o presidente da autarquia, três meses após a passagem da depressão Kristin.
"Temos a presença do Exército, da parte do Regimento de Engenharia de Espinho, a dar um grande apoio e procurado desde há 15 dias fazer esse trabalho de limpeza e de desobstrução, porque há vias que ficaram completamente impedidas", salientou Carlos Lopes.
Os trabalhos em curso envolvem uma equipa de trabalhadores municipais, outra de sapadores e três militares do Regimento de Engenharia de Espinho, com duas máquinas - uma de rasto e uma motoniveladora, que se vão manter no concelho até maio.
"Com este apoio, que à partida nos foi garantido entre o mês de abril e maio, pensamos que uma parte significativa [da desobstrução] poderá ficar resolvida, embora haverá muitas zonas onde, naturalmente, não vamos chegar", reconheceu o presidente do município.
Carlos Lopes disse que a expectativa é a de colocar transitáveis entre 70 a 75% dos 264 quilómetros de estradas florestais do concelho antes dos meses críticos de verão.
Sem a ajuda do Ministério da Defesa, disse, a tarefa de limpeza e desobstrução seria gigantesca e "praticamente impossível com os meios da Câmara".
Já o processo de retirada do material lenhoso dos terrenos é mais complicado e a autarquia também não tem meios para o fazer, referiu o autarca.
"Se os proprietários não forem incentivados e não houver de facto um conjunto de mecanismos que os sensibilizem para essa necessidade, a Câmara, uma vez mais, não vai ter recursos nem vai ter condição para recolher toda essa biomassa".
O presidente da Câmara de Figueiró dos Vinhos lamentou, no entanto, que anualmente não exista uma "intervenção musculada estrutural" para antecipar as épocas críticas de incêndios em vez de "se andar sempre a correr atrás do prejuízo".
Segundo o autarca, se a depressão Kristin não tivesse "eclodido da forma como eclodiu, provavelmente não existiria tanta concentração de esforços a dois meses da época de incêndios", apesar de já existirem problemas antes da tempestade.
No concelho ao lado, em Pedrógão Grande, o município já limpou 250 dos 360 quilómetros de estradas florestais municipais e prevê concluir os trabalhos até ao final deste mês de abril.
No terreno, a autarquia mantém em permanência três equipas, num total de 22 operacionais, dos quais 15 são sapadores ligados ao ICNF e Proteção Civil Nacional, apoiadas por duas máquinas de rasto, duas máquinas com pás carregadoras e uma retroescavadora.
Já quanto à retirada do material lenhoso dos terrenos florestais, o autarca mostrou-se muito cético e avisou que será uma tarefa "impossível de realizar até ao final do ano, se não for com ajuda dos proprietários".
"Estamos a avisar os proprietários para retirarem a madeira, porque a Câmara não tem capacidade para o fazer, ainda por cima com a escassez de mão de obra que se verifica", disse João Marques, que aguarda pela contratualização das Operações Integradas de Gestão da Paisagem (OIGP) para existirem apoios à retirada do material lenhoso.
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