Prejuízos rondam os "muitos milhões" de euros, num vale onde, dos 2.145 hectares, 1.800 estão submersos, refere o responsável da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis.
Pelo menos 500 produtores ficaram "muito afetados" com a passagem da depressão Kristin no vale do Lis, entre estruturas danificadas e culturas alagadas, afirmou este sábado o secretário-geral da Associação de Regantes e Beneficiários.
"Temos pelo menos 500 produtores muito afetados com toda esta questão, com as estruturas afetadas e agora com as culturas que tinham no campo submersas, porque o rio Lis rebentou já em vários locais e inundou os campos adjacentes e tudo está é inundado", disse à agência Lusa o secretário-geral da Associação de Regantes e Beneficiários do Vale do Lis, Henrique Damásio.
Segundo o responsável, no Vale do Lis há algumas estufas, um "viveiro muito grande", explorações com cavalos, armazéns e muitas culturas, sobretudo milho e hortícolas, mas também arroz, pastagens e fruteiras.
Os prejuízos, disse, serão de "muitos milhões" de euros, num vale onde, dos 2.145 hectares, 1.800 estão submersos.
"Para fazer uma intervenção no rio Lis que estava prevista antes de esta história acontecer [para regularização do leito e das margens], eram 3,5 milhões de euros. Isso era numa condição de que não tivesse havido destruição. Agora, com a destruição, nem sequer consigo imaginar qual o valor", disse.
Sobre a necessidade de apoios, Henrique Damásio criticou as declarações do ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, que apontou para os seguros como principal financiamento da recuperação.
"Um dos problemas que Portugal tem com a política é, às vezes, termos como políticos as pessoas que não têm conhecimento do Portugal real, porque no Portugal real os seguros vão-se esquivar à maioria das coisas que aqui estão. Em termos de culturas é muito difícil fazer seguros", vincou.
De acordo com o secretário-geral da associação, será necessária "uma injeção de capital, contabilizando quem foi que teve estragos", a partir de uma contabilização clara dos danos registados junto dos produtores.
Se não houver apoio robusto, Henrique Damásio antevê que muitos dos produtores não irão conseguir reerguer-se "para continuarem a sua vida".
O responsável recordou que o vale do Lis tinha visto a sua área cultivada crescer de forma contínua desde 2012 até agora.
A passagem da depressão Kristin por Portugal continental, na quarta-feira, deixou um rasto de destruição, causando pelo menos cinco mortos, segundo a Proteção Civil, vários feridos e desalojados. A Câmara da Marinha Grande contabiliza ainda uma outra vítima mortal no concelho. No concelho da Batalha, distrito de Leiria, um outro homem de 73 anos morreu este sábado ao cair de um telhado quando estava a reparar as telhas.
Leiria, por onde a depressão entrou no território, Coimbra e Santarém são os distritos que registam mais estragos.
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