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Peritos alertam que abusos na Igreja Católica “não são coisas do passado"

Entrevistadas 75 vítimas de abuso sexual para compensações financeiras.

28 de janeiro de 2026 às 01:30

Rute Agulhas, coordenadora do Grupo Vita, nomeado pela Igreja para receber queixas de abusos sexuais e apoiar as vítimas, referiu esta terça-feira que os "abusos não são coisa do passado" e há registos recentes, de 2023, já depois de o tema estar na agenda pública.

"Persistem assimetrias de poder, perceções distorcidas sobre a figura sacerdotal e resistências culturais que dificultam a denúncia e a proteção efetiva de crianças, adultos vulneráveis e sobreviventes", revela o relatório referente a atividade do grupo no último ano.

Em funções desde maio de 2023, o grupo Vita recebeu cerca de 850 chamadas telefónicas, das quais identificou 154 pessoas vítimas ou sobreviventes de abusos da Igreja.

Destas, 95 pediram uma compensação financeira à igreja, mas em posteriores entrevistas os peritos indicaram um total de 75 casos a serem remetidos para a Igreja para ser avaliada a eventual atribuição de uma compensação financeira.

O grupo termina funções em maio, e ao longo deste período Rute Agulhas considera que na Igreja Católica  "a ausência de estruturas uniformizadas, a falta de mecanismos consistentes de prestação de contas e as fragilidades na articulação entre e com Comissões Diocesanas e Institutos Religiosos demonstram que o sistema de proteção ainda não atingiu a maturidade necessária para funcionar de forma autónoma e plenamente eficaz".

"Há uma ideia muito enraizada, em determinados contextos, que os sacerdotes são moralmente superiores e não os podemos contrariar", afirmou a psicóloga, na apresentação, salientando que os abusos "não são apenas de cariz sexual", mas também hierárquico ou laboral.

Isto "reforça a desigualdade de poder e dificulta a denúncia de comportamentos abusivos, a par de uma "descredibilização das vítimas e sobreviventes" e "ausência de estruturas uniformizadas" para as ouvir, acrescentou.

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