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Plano de Formação Financeira prevê aulas de literacia financeira no ensino superior de educação

Objetivo é capacitar futuros professores para aulas sobre este tema.

18 de março de 2026 às 09:19

O novo plano estratégico do Plano Nacional de Formação Financeira prevê a existência de uma disciplina ou módulos de literacia financeira no ensino superior de educação, com o objetivo de capacitar futuros professores para aulas sobre este tema.

"A ideia é desenvolvermos conteúdos formativos para as licenciaturas. Ainda não está completamente definido se será uma disciplina, se será uma optativa, se serão seminários", disse à Lusa a administradora do Banco de Portugal (BdP) Francisca Guedes de Oliveira, acrescentando que essa definição terá de ser feita em conjunto com o Ministério da Educação.

A administradora do BdP Francisca Guedes Oliveira, a vice-presidente da Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), Inês Drumond, e o administrador da Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões (ASF) Diogo Alarcão deram uma entrevista à Lusa a propósito do plano estratégico para 2026-2030 do Plano Nacional de Formação Financeira.

Além dos alunos das escolas superiores de educação, o plano estratégico dos próximos cinco anos prevê mais formação em literacia financeira para quem está já na carreira de professor, para que estejam devidamente habilitados a dar este módulo na disciplina de cidadania e sessões de formação dirigidas a estudantes do ensino básico e ensino secundário.

Os supervisores financeiros estão também a trabalhar em novos conteúdos a ser lecionados na disciplina de cidadania, disseram à Lusa.

Questionados às críticas a estes conteúdos, de que se focam apenas em noções de gestão de dinheiro (poupança, orçamento, consumo) e ignoram temas mais complexos como pobreza (caso do recurso ao crédito por salário insuficiente), desigualdades e funcionamento do sistema financeiro, Francisca Guedes Oliveira respondeu que nestes conteúdos está incluída uma discussão abrangente antes de se chegar a temas mais concretos.

"Por exemplo, quando se fala de poupança, não se pode falar de poupança sem se falar de gerar rendimento. Há sempre uma perspetiva muito integrada", disse.

Segundo explicou, os conteúdos são lecionados com uma "preocupação permanente de comportamento", de explicar aos estudantes "o que é supérfluo e o que é que é essencial".

"Portanto, há toda uma parte comportamental, de contexto, muito mais abrangente do que apenas os conteúdos objetivos, que se calhar são os que estão plasmados nos cadernos", acrescentou.

Já sobre se conteúdos de literacia financeira põem foco em excessivo no indivíduo, responsabilizando as pessoas por falta de literacia quando algo corre mal e desresponsabilizando o sistema, Diogo Alarcão disse que o objetivo não é estigmatizar, mas "responsabilizar no sentido de dar autonomia e capacidade de tomar decisões" mas que têm noção de que o sistema financeiro é complexo e com assimetria de informação entre as pessoas e as instituições/empresas.

"A literacia financeira não é um fim em si mesmo. A literacia financeira vai induzir a comportamentos e são esses comportamentos que vão permitir tomar as opções certas no momento certo", afirmou.

Sobre se os conteúdos dirigidos a estudantes abordam o tema dos 'influencers' (pessoas com um grande número de seguidores nas redes sociais) e dos investimentos financeiros que estes promovem, frequentemente enganosos, disseram que os conteúdos são focados em conceitos concretos, mas Inês Drumond admitiu que poderá fazer sentido incluir essa problemática.

Além da formação em literacia financeira destinada a jovens, nos próximos cinco anos, os supervisores financeiros irão continuar a promover programas de formação financeira direcionados adultos, destacando o plano a formação destinada a grupos considerados vulneráveis (pobres, desempregados, imigrantes e idosos).

O Plano Nacional de Formação Financeira, lançado em 2011, é uma iniciativa conjunta do Conselho Nacional de Supervisores Financeiros (BdP - Banco de Portugal, ASF - Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões e CMVM - Comissão do Mercado de Valores Mobiliários), com o objetivo de aumentar a literacia financeira da população. A literacia financeira designa a capacidade de tomar decisões informadas sobre gestão de dinheiro.

Segundo um estudo do Banco de Portugal, divulgado esta semana, Portugal regista níveis de literacia financeira próximos da média dos países do euro, mas as mulheres e os cidadãos com menores níveis de escolaridade e de rendimento estão abaixo desse patamar.

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