Autarquia explicou que estas ocorrências têm tido impacto na operação da empresa municipal responsável pela limpeza do espaço público.
A empresa Porto Ambiente tem registado mais situações em que os contentores do lixo são remexidos e despejados na via pública desde que o sistema 'Volta' entrou em vigor, em abril, disse esta quinta-feira a Câmara do Porto à Lusa.
"A empresa municipal Porto Ambiente tem registado situações em que contentores são remexidos, despejados na via pública e, em alguns casos, vandalizados, para retirada de garrafas e latas abrangidas pelo sistema de depósito", esclareceu esta quinta-feira a Câmara do Porto em resposta à Lusa
A autarquia explicou que estas ocorrências têm tido impacto na operação da empresa municipal responsável pela limpeza do espaço público, uma vez que tem sido necessária "intervenção adicional" das equipas para limpar os resíduos que ficam dispersos e repor os contentores vandalizados.
O município indicou também que tem havido impactos a nível ambiental, uma vez que "os resíduos recolhidos após estas ocorrências deixam de poder ser encaminhados como recolha seletiva, sendo tratados como resíduos indiferenciados, o que penaliza as métricas de reciclagem e acarreta custos acrescidos de tratamento".
A Lusa tinha questionado a Câmara do Porto se este novo sistema estava a afetar o número de resíduos recolhidos, algo relatado por outras autarquias, mas no Porto o problema não se verifica.
"Até ao momento, não se verifica uma redução das quantidades de embalagens recolhidas no Porto. Desde a entrada em vigor do Sistema de Depósito e Reembolso (SDR), a 10 de abril de 2026, e até ao final de junho, a quantidade de embalagens recolhidas está em linha com o período homólogo de 2025, registando inclusivamente um ligeiro aumento de cerca de 4 toneladas", informou.
O Porto tem ainda o projeto "Recolha Porta a Porta Residencial", em que são recolhidos seletivamente os fluxos de papel/cartão, plástico/metal, vidro e orgânicos, assim como resíduos indiferenciados em habitações unifamiliares, que também registou um aumento de 8% nas embalagens recolhidas.
"Em síntese, embora se observe um aumento de ocorrências relacionadas com a recolha informal de embalagens depositadas nos contentores, não se verifica uma diminuição das quantidades de embalagens recolhidas pelo município, sendo o principal impacto sentido ao nível da limpeza urbana, da operação e dos custos associados às situações de vandalização e dispersão de resíduos", concluiu a autarquia.
Em 10 de junho, a entidade gestora do SDR referiu ter recolhido mais de 10 milhões de embalagens desde que entrou em funcionamento, nos mais de 2.500 pontos 'Volta' distribuídos por todo o país.
Em comunicado, a SDR Portugal - associação sem fins lucrativos responsável pela implementação e gestão do sistema, operacional desde 10 abril, - considerou que "este marco, alcançado ainda na fase de transição da operação, demonstra a efetiva adesão inicial dos cidadãos à 'Volta'".
O sistema permite aos consumidores recuperarem o valor de depósito de 10 cêntimos por embalagem pago no ato da compra de garrafas e latas de uso único, de plástico, metal e alumínio e inferiores a três litros, mediante a sua devolução nos mais de 2.500 pontos 'Volta' existentes em Portugal continental, Açores e Madeira.
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