Instituições nacionais apresentaram 368 pedidos de patentes europeias no ano passado. Tecnologias Informática e Médica são as áreas onde a inovação mais se nota.
Em 2025 as empresas e instituições portuguesas apresentaram 368 pedidos de patentes na Organização Europeia de Patentes (OEP), o registo mais alto de sempre. De acordo com o EPO Technology Dashboard, divulgado esta terça-feira, desde 2016 o número de patentes oriundas de Portugal mais que duplicou, passando de 157 em 2016 para 368 no ano passado. No total, a OEP recebeu em 2025 um recorde de 201974 pedidos de patente, ultrapassando pela primeira vez a marca dos 200 mil pedidos.
Os EUA são o país com mais pedidos de patentes, com 23,3% do total (47008 pedidos), seguindo-se a Alemanha (12,9%, 24476) e a China (10,9%, 22031). Em Portugal, as áreas com mais pedidos de patentes europeias são a tecnologia informática (39 pedidos), tecnologia médica (33), Biotecnologia e Transportes (21 cada). No que respeita aos requerentes, entre os dez principais estão empresas, universidades e organizações públicas de investigação. A OPRIMEE - Innovation Design Engineering Solutions lidera os pedidos de patente portugueses em 2025: 26. Segue-se a NOS Inovação, com 18 pedidos, e o INESC Porto - Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores do Porto, com 14 pedidos.
Por regiões, o Norte lidera, com 144 pedidos, seguindo-se o Centro (106) e Lisboa (33). "A subida de pedidos de patentes de Portugal significa que as instituições portuguesas estão mais cientes da importância de proteger as inovações tecnológicas para poder obter o retorno do investimento", explica ao CM Telmo Vilela, Conselheiro Principal da OEP. O registo de patentes acaba por ser uma "bússula tecnológica", pois "refletem o que vai chegar ao mercado nos próximos anos".
No entanto, apesar de as instituições sedeadas na Europa terem feito mais pedidos de patentes nos últimos anos, a maioria dos registos na OEP ainda é de entidades de outros continentes. "Isto significa que a Europa é atrativa em termos tecnológicos, mas que ainda há um caminho a percorrer. Enquanto na Europa a maior parte da inovação é de start ups e de universidades, nos EUA é diferente, são grandes empresas. Há muitos anos que a Europa não cria uma 'big tech'. Somos bons a criar inovação mas não a fazê-la funcionar", explica.
Em Portugal os indicadores são positivos - é um dos países com mais mulheres inventoras face aos homens - e há uma distribuição entre as patentes de empresas, universidades, start-ups e unicórnios. Mas ainda falta dar um outro passo, refere Telmo Vilela. "Vivemos numa espécie de 'vale da morte' entre o laboratório e o mercado. Há escassez de capital de risco, pouca aptidão para o risco e um medo de falhar por parte dos investidores", o que poderá explicar que apesar do crescimento, o número de patentes per capita ainda seja relativamente baixo em Portugal.
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