Cerimónia decorreu em Oeiras, na qual o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Eslováquia, Robert Kalinák, assinaram o documento.
Portugal e Eslováquia assinaram esta terça-feira um acordo de cooperação técnico-militar, com o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa eslovaco a manifestar interesse nos drones portugueses e nas aeronaves KC-390.
A cerimónia decorreu no Forte de São Julião da Barra, em Oeiras, na qual o ministro da Defesa Nacional, Nuno Melo, e o vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa da Eslováquia, Robert Kalinák, assinaram o documento.
"Na União Europeia estamos bem conscientes da necessidade de reforçarmos o pilar europeu de Defesa da NATO. Isso deve acontecer, desde logo, nos nossos países e através daquilo que são os entendimentos que entre países europeus podem levar a um maior e melhor desenvolvimento das indústrias de Defesa", salientou Nuno Melo.
Ao lado do ministro português, Robert Kalinák disse estar "muito feliz" e, questionado sobre quais poderão ser as capacidades militares portuguesas de interesse para o seu país, começou por referir a produção de drones.
O governante disse ter estado esta terça-feira na empresa Beyond Vision e na quarta-feira vai visitar as instalações da Tekever, duas empresas portuguesas de referência na produção destes veículos aéreos não tripulados.
"Portugal desenvolveu esta tecnologia ainda antes do início da guerra na Ucrânia. Estamos muito interessados neste tipo de cooperação", salientou Robert Kalinák.
O vice-primeiro-ministro eslovaco disse que também esteve na OGMA -- Indústria Aeronáutica de Portugal, empresa portuguesa do setor aeronáutico que faz a manutenção de motores de aeronaves que equipam as Forças Armadas eslovacas.
A Eslováquia adquiriu recentemente aeronaves F-16 Block 70/72 e Robert Kalinák antecipou uma maior cooperação entre a OGMA e a empresa eslovaca também dedicada à manutenção nesta área.
Por último, o governante adiantou que está a negociar com a brasileira Embraer a compra do avião de transporte militar multifacetado KC-390.
Estas aeronaves são adquiridas por Portugal à Embraer e posteriormente equipadas com tecnologia nacional com o objetivo de as adaptar aos padrões NATO e União Europeia, com um lucro para o Estado português de cerca de 10 milhões por cada venda.
Nesta visita a Portugal, o governante eslovaco vai também deslocar-se até à Base Aérea n.º 11 (BA11), em Beja, onde está sediada a Esquadra 506 -- "Rinocerontes" e onde são formados pilotos nacionais e estrangeiros para operar os KC-390.
Robert Kalinák realçou ainda que, no início da guerra na Ucrânia, em 2022, Portugal enviou militares para uma brigada multinacional da NATO, na área militar de treino de Lest, na Eslováquia, agradecendo este contributo.
Atualmente, estão naquele país 123 militares portugueses, equipados com carros de combate Leopard e viaturas de rodas Pandur.
O ministro da Defesa português salientou que existem áreas militares nas quais Portugal é "altamente competitivo" e outras nas quais a Eslováquia "tem uma fortíssima tradição", mas nas quais a indústria portuguesa é "omissa ou deficitária", como é o caso da produção de munições.
"Esta é uma área em que podemos aprender com os eslovacos e em relação à qual estamos sempre recetivos à captação de investimento estrangeiro", realçou.
Nuno Melo já anunciou que Portugal terá uma fábrica de munições, na qual o Governo pretende ter uma participação entre 35 e 51% e cujo investimento deverá rondar os 45 milhões de euros e criar "mais de 100 postos de trabalho".
O ministro enalteceu ainda que Portugal "lidera em domínios como os drones" e "é bom naquilo que faz".
"Quando estamos obrigados a reforçar o pilar europeu de defesa da NATO e a produzir mais na Europa estamos, ao mesmo tempo, a definir áreas, a estabelecer parcerias e a pensar no futuro, para dependermos muito mais de nós do que aquilo que acontecia no passado, quando dependíamos demasiadamente de outros. E portanto, se nós estamos, no caso português, a modernizar as Forças Armadas, não estamos simplesmente a comprar equipamentos para as Forças Armadas, como sucedeu tantas vezes no passado", realçou, apontando que este tipo de investimentos pretende gerar emprego e fomentar a economia nacional.
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