Projeto pretende cumprir objetivo da EDP de se tornar 100% verde até 2030.
Projeto pretende cumprir objetivo da EDP de se tornar 100% verde até 2030.
Dois rebocadores deslocaram 12 mil painéis solares, que juntos teriam o tamanho de quatro campos de futebol, para o ponto de fixação nas águas da albufeira do Alqueva, no Alentejo, naquele que será o arranque do maior parque solar flutuante da Europa, a funcionar no próximo mês.
Construída pela EDP, a principal empresa pública do país, no maior lago artificial da Europa Ocidental, a ilha flutuante faz parte do plano de Portugal para reduzir a dependência dos combustíveis fósseis importados, cujos preços subiram desde a invasão russa à Ucrânia.
Com uma enorme exposição solar e sujeito aos ventos atlânticos, Portugal acelerou a sua mudança para as energias renováveis uma vez que, apesar de não utilizar quase nenhum hidrocarboneto russo, as centrais elétricas alimentadas a gás ainda sentem o aperto do aumento dos preços dos combustíveis.
Painéis solares no Alqueva serão capazes de abastecer de energia 1.500 famílias
Miguel Patena, diretor do grupo da EDP, responsável pelo projeto solar, disse, na quinta-feira, que a eletricidade produzida pelo parque flutuante custaria apenas um terço da gerada a partir de uma central alimentada a gás.
Os painéis no reservatório de Alqueva, utilizados para gerar energia hidroelétrica, produzirão 7,5 gigawatt/hora (GWh) de eletricidade por ano, e serão complementados por baterias de lítio para armazenar 2 GWh. Os painéis solares serão capazes de abastecer de energia 1.500 famílias ou um terço das necessidades das vizinhas Moura e Portel.
"Este projeto é o maior parque solar flutuante de uma barragem hidroelétrica da Europa, é uma referência muito boa", disse Patena.
Painéis solares montados em pontões, lagos ou até no mar já foram instalados em vários locais, desde na Califórnia, nos Estados Unidos da América, a lagos industriais poluídos na China, numa tentativa de reduzir as emissões de CO2.
Os painéis flutuantes têm a vantagem de não requerer imóveis valiosos e, a par disso, os dos reservatórios utilizados para energia hidroelétrica são particularmente rentáveis, uma vez que podem ser conectados às ligações existentes da rede eléctrica. O excesso de energia gerada em dias de sol pode bombear água para o lago para ser armazenada e posteriormente utilizada em dias nublados ou até durante a noite.
Ana Paula Marques, membro do conselho executivo da EDP, disse que a guerra na Ucrânia mostrou a necessidade de acelerar a mudança para as energias renováveis. Acrescentou ainda que o projeto no Alqueva fazia parte da estratégia da EDP para "se tornar 100% verde até 2030", com a energia hidroelétrica e outras formas renováveis a representar atualmente 78% dos 25,6 GW de capacidade instalada da EDP.
Em 2017, a empresa instalou um projeto-piloto solar flutuante com 840 painéis na barragem do Alto Rabagão, o primeiro na Europa a testar como a energia hídrica e solar se poderiam complementar.
A EDP já tem planos para expandir o projeto do Alqueva. Em abril, assegurou o direito de construir uma segunda quinta flutuante com 70 MW de capacidade instalada.
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