page view

Portugal registou 680 mortes em excesso em três períodos do verão de 2026

Segundo período e "de maior magnitude" ocorreu entre 2 e 8 de julho, estimando-se 555 óbitos em excesso, mais 29% relativamente à mortalidade esperada.

06 de agosto de 2026 às 22:06

Portugal registou, até ao momento, três períodos de excesso de mortalidade por todas as causas durante o verão de 2026, totalizando 680 óbitos acima do esperado, revelam estimativas do Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge (INSA) divulgadas esta quinta-feira.

Segundo os dados avançados à agência Lusa pelo INSA e pela Direção-Geral da Saúde (DGS), atualizados a 30 de julho, o primeiro período ocorreu a 16 de junho, com um excesso estimado de 62 óbitos (+22,4% em relação ao esperado), coincidindo com um episódio de temperaturas elevadas.

O segundo período, "de maior magnitude", ocorreu entre 2 e 8 de julho, estimando-se 555 óbitos em excesso, mais 29% relativamente à mortalidade esperada.

"Este período coincidiu com um episódio de calor extremo e prolongado, sendo igualmente de considerar a possível influência das temperaturas elevadas nos dias imediatamente subsequentes", afirmam num balanço pedido pela Lusa.

O terceiro ocorreu a 23 de julho, com uma estimativa de 63 óbitos em excesso (+23,5% face ao esperado), sobretudo em maiores de 75 anos.

"Trata-se de um único dia e os dados mais recentes podem ainda sofrer ajustes à medida que os registos são atualizados, pelo que só com informação consolidada será possível avaliar o significado deste aumento", ressalvam as entidades.

O INSA e a DGS explicam que estas estimativas correspondem a excesso de mortalidade por todas as causas, sendo obtidas através de modelos estatísticos que comparam a mortalidade observada com a mortalidade esperada para a época do ano.

O padrão observado mostra que a maioria dos óbitos ocorreu em pessoas com 75 ou mais anos, verificando-se um predomínio de causas circulatórias, respiratórias e neoplásicas.

Segundo as entidades, os óbitos cuja causa básica de morte foi codificada como exposição a calor excessivo representam apenas uma pequena parte do impacto do calor na mortalidade, uma vez que, na maioria das situações, o calor funciona como fator desencadeante ou agravante de outras patologias e não como causa básica de morte registada no certificado de óbito.

Por outro lado, nos grupos etários mais jovens, a mortalidade observada deveu-se sobretudo a causas externas, não apresentando um padrão diretamente compatível com uma associação ao calor.

Os valores observados ficaram abaixo do impacto na mortalidade estimado pelo Índice ÍCARO, modelo preditivo que avalia o risco associado às temperaturas observadas ou previstas.

As autoridades de saúde apontam que esta diferença poderá estar relacionada com a efetividade das medidas de preparação e resposta implementadas pela Saúde Pública e pelas restantes entidades, com a exposição térmica sentida, com o fenómeno de deslocamento temporal da mortalidade ("harvesting") e com o grau de consolidação dos registos de óbito.

Explicam que a magnitude do impacto de cada episódio depende da intensidade e duração do calor e da efetividade das medidas de proteção adotadas, em especial junto dos grupos mais vulneráveis.

Acrescentam que, na ausência de causas explicativas concorrentes para o excesso de mortalidade, como vírus respiratórios, este é maioritariamente atribuível às temperaturas extremas.

Segundo o INSA e a DGS, o padrão observado é semelhante ao verificado em episódios anteriores em Portugal e noutros países europeus, como Espanha e França, onde foram registados excessos de mortalidade superiores ao português.

Referem ainda que o calor atua frequentemente como fator precipitante ou agravante de doenças pré-existentes, sobretudo cardiovasculares e respiratórias, aumentando o risco de eventos agudos e de morte, especialmente em pessoas idosas, frágeis ou com múltiplas comorbilidades.

A DGS mantém a monitorização da situação meteorológica e dos indicadores de saúde e mortalidade em articulação com o INSA, o IPMA e as restantes entidades do Ministério da Saúde, ajustando as medidas previstas no Plano Nacional de Preparação e Resposta Sazonal em Saúde sempre que necessário.

Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?

Envie para geral@cmjornal.pt

o que achou desta notícia?

concordam consigo

Logo CM

Newsletter - Boa Tarde

As suas notícias acompanhadas ao detalhe.

Mais Lidas

Ouça a Correio da Manhã Rádio nas frequências - Lisboa 90.4 // Porto 94.8