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Posição dos braços afeta qualidade de manobras de reanimação cardiopulmonar

Investigadores concluíram que as características físicas dos reanimadores, como altura e peso, também influenciam a performance.

22 de janeiro de 2026 às 08:26

Um estudo da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FEUP) revelou que a posição dos braços e o posicionamento do reanimador têm implicações na qualidade das compressões torácicas em doentes que estão em risco de vida, foi esta quinta-feira revelado.

"Pequenas variações na postura e no posicionamento do reanimador têm um impacto real na qualidade da reanimação cardiorrespiratória", é a conclusão do estudo realizado em Portugal, na Alemanha e na Finlândia, na qual a simulação serviu como meio investigativo.

Num resumo partilhado com a agência Lusa, a FMUP revela que a qualidade das compressões foi medida através de simuladores e a fadiga muscular através de sensores de eletromiografia, durante três minutos de compressões ininterruptas realizadas por profissionais de saúde experientes, designadamente médicos, enfermeiros e paramédicos.

"Os resultados foram claros: compressões realizadas a 90.° [ombros alinhados com os pulsos, como é recomendado] asseguram maior qualidade e menor fadiga, enquanto que a 105.° [posição frequentemente observada, com os ombros do reanimador ligeiramente recuados] levam a uma queda precoce no desempenho e maior esforço muscular", indica a professora da FMUP Carla Sá Couto que coordenou o projeto QualityCPR.

Os investigadores concluíram que as características físicas dos reanimadores, como altura e peso, também influenciam a performance.

"Reanimadores mais altos ou mais pesados tendem a conseguir compressões mais profundas e com menor fadiga", lê-se nas conclusões de um trabalho que resultou em três artigos científicos publicados na revista Resuscitation Plus.

Paralelamente, posições mais elevadas, por exemplo, usando um banco, permitiram manter compressões eficazes, durante mais tempo.

Mas, pelo contrário, as posições instáveis, como de joelhos na cama, comprometeram rapidamente a qualidade da reanimação.

Em março de 2023, em informação remetida à Lusa, a FMUP anunciou que pretendia estudar o desempenho dos socorristas durante a ressuscitação cardiopulmonar com o objetivo de aumentar a taxa de sobrevivência das vítimas que são assistidas.

"Sabemos que as manobras de reanimação, sobretudo as compressões torácicas, são decisivas na sobrevida do doente. Feitas de forma adequada, no local adequado, com o posicionamento das mãos correto e com a frequência e profundidade adequadas, têm uma implicação direta na sobrevivência do doente", disse na época Carla Sá Couto.

Agora, com base nos resultados, investigadores recomendam que "ao nível individual" é importante "treinar e executar compressões com os braços a 90.°, privilegiando posicionamentos ergonómicos, nomeadamente através do uso de plataformas ou do ajuste da altura da cama.

"Ao adotar uma posição elevada, mas estável, o reanimador consegue tirar partido do peso do próprio corpo, atrasando a fadiga muscular", acrescentam.

Ao nível organizacional, "é essencial que as salas de emergência disponham de condições que favoreçam a ergonomia (como camas ajustáveis e bancos de apoio) e que os programas de treino integrem 'feedback' objetivo não apenas sobre a técnica das compressões, mas também sobre a postura, o posicionamento do reanimador e a ergonomia do espaço, tendo em conta as suas características antropométricas e o seu nível de aptidão física", conclui.

O projeto QualityCPR teve financiamento da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) no valor de 49.750,49 euros e da Laerdal Foundation no valor de 21.150 euros, com a participação de instituições académicas dos três países que compõem o consórcio, designadamente a Ludwig-Maximilians Universität München e a Arcada University of Applied Sciences.

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