Em Portugal, estima-se que cerca de 20.000 pessoas vivam com a doença, registando-se mais de 1.800 novos casos por ano.
A doença de Parkinson afeta mais de 2.000 jovens adultos em Portugal, uma situação que torna a sua vida imprevisível e os obriga a reduzir o horário de trabalho, relataram doentes à Lusa.
A propósito do Dia Mundial da Doença de Parkinson, que se assinala no sábado, a Lusa ouviu testemunhos de doentes a quem foi diagnosticada a doença em plena vida ativa.
Aos 35 anos, Marco Serrabulho foi diagnosticado com a doença de Parkinson, que o levou a deixar de ser professor e tornou o seu dia a dia imprevisível porque muitas vezes não consegue cumprir os compromissos que assume.
"Nunca sabemos como é que vamos estar", disse à Lusa Marco Serrabulho, antigo professor, que deixou a docência na área da educação visual e tecnológica, embora continue a trabalhar na escola, em Évora, em tarefas ligadas à parte informática.
A doença de Parkinson é uma doença neurodegenerativa, crónica e incurável e embora esteja associada a pessoas com mais de 60 anos, pode ser diagnosticada antes dos 50 anos.
A doença traz sintomas como tremores, movimentos lentos e rigidez muscular.
Marco Serrabulho, pai de três filhos, afirmou que passados alguns meses desde o diagnóstico se tornou difícil esconder os sintomas dos alunos, como o tremor e a falta de equilíbrio.
"Eu tremia muito e os meninos perguntavam-me o que é que eu tinha. Se estava com frio, se eu tinha algum problema", contou Marco Serrabulho, que começou a sentir-se desconfortável a dar aulas.
Atualmente com 53 anos disse que a maior diferença que sente antes e depois da doença é a imprevisibilidade.
"Posso combinar ir tomar um café com alguém e depois não consigo sair do sofá, porque nessa altura a medicação não está a fazer efeito", explicou Marco Serrabulho, referindo que os remédios para doença nem sempre funcionam.
Quando a medicação não funciona ou ainda não fez efeito, os pacientes podem ter dificuldades em andar, sonolência, tremores e os seus movimentos corporais são mais lentos.
Para desacelerar a progressão da doença Marco Serrabulho começou a correr: "A corrida tem-me ajudado imenso a ter a doença controlada".
Rita Botelho, de 44 anos, diagnosticada com Parkinson aos 39, disse que nunca sentiu tremores, mas tem movimentos lentos, rigidez muscular (que provoca dores) e insónias.
"Estive acordada praticamente a noite toda e não consegui estar capaz de pegar no carro e levar a minha filha à escola", contou Rita Botelho, dando um exemplo de como a doença afeta as suas rotinas.
Rita Botelho, proprietária de uma marca de joias, disse também que já não consegue trabalhar tantas horas como anteriormente e que todos os meses gasta mais de 100 euros em medicamentos, mesmo alguns sendo comparticipados.
"Mudou tudo, eu antes não pensava, acordava e seguia a minha vida. Eu agora tenho de ter tudo planeado. Tenho alarmes para comer", disse Rita Botelho, indicando que a hora em que se alimenta e o que come influencia a eficácia dos medicamentos.
A doença de Parkinson precoce atinge a maioria das pessoas no auge das suas vidas, reconheceu, por seu lado, a presidente e fundadora da organização que apoia pessoas com a patologia - Young Parkies Portugal (YPP) -, Carmo Bastos, diagnosticada com a doença aos 44 anos.
"Estão no auge da sua vida familiar, com filhos pequenos, normalmente, no auge da sua vida profissional", disse a presidente da YPP, que realiza encontros entre pacientes, que incluem exercício físico, intervenção psicológica e informações sobre a doença.
Carmo Bastos, atualmente com 50 anos, trabalha numa instituição bancária e por causa da doença teve de deixar de liderar uma equipa para reduzir os níveis de stress e não agravar a doença.
A presidente da YPP, que tem mais de 400 associados, disse que a lentidão nos movimentos e a rigidez muscular são os sintomas mais comuns na doença de Parkinson precoce, "muito mais do que o tremor".
Em Portugal, estima-se que cerca de 20.000 pessoas vivam com a doença, registando-se mais de 1.800 novos casos por ano.
Segundo Carmo Bastos, cerca de 2.000 a 3.000 pessoas têm Parkinson precoce.
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