Pedro Moreira explicou que o sistema de gestão da CP está certificado por entidades europeias.
O presidente do Conselho de Administração da CP -- Comboios de Portugal, Pedro Moreira, assegurou esta terça-feira que todos os planos de manutenção do material circulante da empresa são cumpridos de forma rigorosa, certificada e supervisionada, garantindo a segurança dos passageiros.
Em audição na Comissão de Infraestruturas, Mobilidade e Habitação, Moreira explicou que "a segurança na operação da CP é suportada pelo sistema de gestão da segurança, que contempla a avaliação contínua e sistemática dos riscos, o controlo das situações e a implementação de medidas de melhoria sempre que necessário, com acompanhamento do Comité Estratégico de Segurança".
O responsável, ouvido por requerimento do PSD sobre a "anomalia" que separou carruagem de um comboio Intercidades em outubro de 2025, destacou que "a manutenção do material circulante é rigorosa, baseada em ciclos definidos e executada por técnicos qualificados com muita experiência" e que "não há nenhuma unidade em serviço que não cumpra integralmente o plano de manutenção".
Pedro Moreira explicou que o sistema de gestão da CP está certificado por entidades europeias, incluindo a Agência Ferroviária Europeia, e que todas as certificações são sujeitas a auditorias internas e externas.
Também sublinhou que a empresa adapta a manutenção à idade e ao contexto operacional das carruagens, cuja média de serviço ronda 45 anos, garantindo que "as unidades só entram em serviço se estiverem totalmente dentro do ciclo de manutenção, assegurando sempre a segurança de todos os passageiros".
Sobre inspeções preventivas, Pedro Moreira afirmou: "Logo após esta ocorrência [em outubro],iniciámos um conjunto de verificações" ao material circulante.
"Os critérios, como disse, ainda estão a ser estudados, mas neste conjunto de inspeções substituímos já 22 elementos preventivamente", acrescentou.
O presidente explicou que este passo "não significa que estes elementos tivessem algum problema", mas que a empresa está a "rever os procedimentos de inspeção, definindo exatamente o tipo de ensaio não destrutivo a realizar e os critérios de aceitação e rejeição".
Acrescentou ainda: "Neste momento estamos a ser mais cautelosos e, até que os novos critérios sejam definidos, estamos a substituir preventivamente alguns dos elementos, começando por aqueles com mais quilómetros de serviço desde a última inspeção".
O presidente abordou também a renovação do material circulante e os desafios associados: "Durante alguns anos, a CP tentou substituir o mercado circulante e, nos últimos anos, tem conseguido essas autorizações. A renovação de materiais e carruagens não é rápida. Entre o lançamento de um concurso e a receção das primeiras unidades decorrem tipicamente entre três anos e meio a quatro anos. Estes investimentos têm que ser planeados a médio e longo prazo, caso contrário não é possível", comentou.
Sobre recursos humanos, Pedro Moreira reconheceu desafios no recrutamento de pessoal especializado.
" A CP tem de lidar com um aumento dos quilómetros percorridos, que resulta também do aumento de passageiros", e enfrenta "uma dificuldade crescente no recrutamento destes trabalhadores, porque se há 20 anos tínhamos de pagar acima da média do mercado, agora pagamos um pouco abaixo da média do mercado", disse.
Ainda assim, garantiu que "não há qualquer interferência com o cumprimento dos planos de manutenção", e que, se não houver pessoal suficiente para realizar uma intervenção, "as unidades são imobilizadas e não vão para o serviço, cumprindo o tráfego só quando possível realizar a manutenção".
Em outubro de 2025 a CP abriu um inquérito para apurar as "possíveis causas" do incidente com um comboio Intercidades que perdeu uma carruagem devido à quebra dos engates, em 13 de outubro, quando circulava entre Lisboa e Faro.
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