Luis Cabral reconheceu que neste momento o INEM não consegue sequer cobrir o custo em recursos humanos das ambulâncias dos bombeiros.
O presidente do INEM, Luis Cabral, pediu esta quarta-feira aos deputados que alterem a lei para permitir um aumento de 2,5% para 4% da percentagem dos seguros automóvel atribuída ao instituto, insistindo na necessidade de mais financiamento.
O responsável, esta quarta-feira ouvido na Comissão Parlamentar de Saúde, a pedido do PS, sobre a Lei Orgânica do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), assumiu que este aumento representaria mais quatro a cinco euros no seguro automóvel de cada português.
"Por favor olhem para este assunto (...). Isto representa mais quatro a cinco euros no seguro automóvel, para garantir o melhor SIEM [Sistema Integrado de Emergência Médica] da Europa. Não é pedir muito", afirmou.
Durante a audição, Luis Cabral reconheceu que neste momento o INEM não consegue sequer cobrir o custo em recursos humanos das ambulâncias dos bombeiros (postos de emergência médica), adiantando que de um custo total de 16.700 euros, o INEM paga 10.800.
"Não tenho financiamento para garantir aos bombeiros o custo mínimo de operação em pessoal das ambulâncias, ou seja, para pagar os ordenados das pessoas", disse.
Ainda sobre a necessidade de mais financiamento, Luis Cabral lembrou que o próximo concurso de helicópteros terá de ter um valor mais elevado face aos aumentos dos custos operacionais.
Quanto ao estatuto do INEM, reconheceu que poderia "ter ido mais longe" e que o instituto poderia ser uma Entidade Pública Empresarial (EPE), mas lembrou que isso demoraria mais tempo.
"Esta oportunidade de reapreciação do diploma não deve ser perdida (...). Peço, em nome do INEM, que seja possível estes grupos parlamentares chegarem a um consenso", pediu Luis Cabral, insistindo na necessidade de o INEM ter um estatuto especial na aquisição de bens essenciais.
"Não posso estar cinco anos à espera de novas viaturas", afirmou.
Questionado pelos deputados, Luis Cabral disse que a reforma que está a ser feita no INEM é como "mudar as rodas de um carro de formula 1 a 200 quilómetros por hora" e que "seria uma loucura" qualquer presidente do instituto querer reduzir a capacidade de resposta.
"Eu não estaria disposto a fazê-lo", garantiu, lembrando, a propósito da contestação de que têm sido alvo algumas das decisões que tomou, que não é "dono da verdade", mas que se baseia "nas melhores evidências [informações] científicas" para "tomar as medidas que têm de ser tomadas".
Admitiu que algumas medidas podem ser adaptadas "para ir ao encontro de algumas estruturas", como aconteceu com o projeto-piloto para abrir ambulâncias de Suporte Imediato de Vida (SIV) em viaturas ligeiras, mas insistiu: "não posso ter meios SIV [com enfermeiro e Técnico de Emergência Pré-Hospitalar (TEPH)] a fazer o que fazem os de Suporte Básico de Vida (SBV)", que são garantidos pelos bombeiros e cruz vermelha.
Já quanto à alegada fragmentação do SIEM que as mudanças tomadas no INEM podem trazer, disse não compreender essa alegação, afirmando que "em nenhuma medida há qualquer alteração no modo de organização do SIEM".
Como exemplo, disse que os meios de Suporte Avançado Vida (SAV) "já são contratualizados com as Unidades Locais de Saúde (ULS)" -- INEM fornece o carro e ULS o pessoal -, o mesmo acontecendo com os meios SIV (INEM garante ambulância e TEPH e ULS o enfermeiro) e os meios SBV (bombeiros e cruz vermelha fornecem ambulâncias e tripulantes).
A principal diferença -- disse -- "é na cidade de Lisboa".
"Em tempos, já houve 15 ambulâncias do INEM a funcionar em Lisboa. Nos últimos anos funcionavam quatro a cinco por dia e a solução foi sempre esperar por concursos de TEPH para reforçar a capacidade. Eu não posso ficar à espera que os concursos aconteçam para formar técnicos", disse o responsável, lembrando que concurso aberto para 200 TEPH tem neste apenas 26 elementos.
"Se estivesse à espera desse concurso para abrir as outras ambulâncias de Lisboa, já tinham morrido pessoas", concluiu.
Tem sugestões ou notícias para partilhar com o CM?
Envie para geral@cmjornal.pt
o que achou desta notícia?
concordam consigo
A redação do CM irá fazer uma avaliação e remover o comentário caso não respeite as Regras desta Comunidade.
O seu comentário contem palavras ou expressões que não cumprem as regras definidas para este espaço. Por favor reescreva o seu comentário.
O CM relembra a proibição de comentários de cariz obsceno, ofensivo, difamatório gerador de responsabilidade civil ou de comentários com conteúdo comercial.
O Correio da Manhã incentiva todos os Leitores a interagirem através de comentários às notícias publicadas no seu site, de uma maneira respeitadora com o cumprimento dos princípios legais e constitucionais. Assim são totalmente ilegítimos comentários de cariz ofensivo e indevidos/inadequados. Promovemos o pluralismo, a ética, a independência, a liberdade, a democracia, a coragem, a inquietude e a proximidade.
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza expressamente o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes ou formatos actualmente existentes ou que venham a existir.
O propósito da Política de Comentários do Correio da Manhã é apoiar o leitor, oferecendo uma plataforma de debate, seguindo as seguintes regras:
Recomendações:
- Os comentários não são uma carta. Não devem ser utilizadas cortesias nem agradecimentos;
Sanções:
- Se algum leitor não respeitar as regras referidas anteriormente (pontos 1 a 11), está automaticamente sujeito às seguintes sanções:
- O Correio da Manhã tem o direito de bloquear ou remover a conta de qualquer utilizador, ou qualquer comentário, a seu exclusivo critério, sempre que este viole, de algum modo, as regras previstas na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, a Lei, a Constituição da República Portuguesa, ou que destabilize a comunidade;
- A existência de uma assinatura não justifica nem serve de fundamento para a quebra de alguma regra prevista na presente Política de Comentários do Correio da Manhã, da Lei ou da Constituição da República Portuguesa, seguindo a sanção referida no ponto anterior;
- O Correio da Manhã reserva-se na disponibilidade de monitorizar ou pré-visualizar os comentários antes de serem publicados.
Se surgir alguma dúvida não hesite a contactar-nos internetgeral@medialivre.pt ou para 210 494 000
O Correio da Manhã oferece nos seus artigos um espaço de comentário, que considera essencial para reflexão, debate e livre veiculação de opiniões e ideias e apela aos Leitores que sigam as regras básicas de uma convivência sã e de respeito pelos outros, promovendo um ambiente de respeito e fair-play.
Só após a atenta leitura das regras abaixo e posterior aceitação expressa será possível efectuar comentários às notícias publicados no Correio da Manhã.
A possibilidade de efetuar comentários neste espaço está limitada a Leitores registados e Leitores assinantes do Correio da Manhã Premium (“Leitor”).
Ao comentar, o Leitor está a declarar que é o único e exclusivo titular dos direitos associados a esse conteúdo, e como tal é o único e exclusivo responsável por esses mesmos conteúdos, e que autoriza o Correio da Manhã a difundir o referido conteúdo, para todos e em quaisquer suportes disponíveis.
O Leitor permanecerá o proprietário dos conteúdos que submeta ao Correio da Manhã e ao enviar tais conteúdos concede ao Correio da Manhã uma licença, gratuita, irrevogável, transmissível, exclusiva e perpétua para a utilização dos referidos conteúdos, em qualquer suporte ou formato atualmente existente no mercado ou que venha a surgir.
O Leitor obriga-se a garantir que os conteúdos que submete nos espaços de comentários do Correio da Manhã não são obscenos, ofensivos ou geradores de responsabilidade civil ou criminal e não violam o direito de propriedade intelectual de terceiros. O Leitor compromete-se, nomeadamente, a não utilizar os espaços de comentários do Correio da Manhã para: (i) fins comerciais, nomeadamente, difundindo mensagens publicitárias nos comentários ou em outros espaços, fora daqueles especificamente destinados à publicidade contratada nos termos adequados; (ii) difundir conteúdos de ódio, racismo, xenofobia ou discriminação ou que, de um modo geral, incentivem a violência ou a prática de atos ilícitos; (iii) difundir conteúdos que, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, tenham como objetivo, finalidade, resultado, consequência ou intenção, humilhar, denegrir ou atingir o bom-nome e reputação de terceiros.
O Leitor reconhece expressamente que é exclusivamente responsável pelo pagamento de quaisquer coimas, custas, encargos, multas, penalizações, indemnizações ou outros montantes que advenham da publicação dos seus comentários nos espaços de comentários do Correio da Manhã.
O Leitor reconhece que o Correio da Manhã não está obrigado a monitorizar, editar ou pré-visualizar os conteúdos ou comentários que são partilhados pelos Leitores nos seus espaços de comentário. No entanto, a redação do Correio da Manhã, reserva-se o direito de fazer uma pré-avaliação e não publicar comentários que não respeitem as presentes Regras.
Todos os comentários ou conteúdos que venham a ser partilhados pelo Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã constituem a opinião exclusiva e única do seu autor, que só a este vincula e não refletem a opinião ou posição do Correio da Manhã ou de terceiros. O facto de um conteúdo ter sido difundido por um Leitor nos espaços de comentários do Correio da Manhã não pressupõe, de forma direta ou indireta, explícita ou implícita, que o Correio da Manhã teve qualquer conhecimento prévio do mesmo e muito menos que concorde, valide ou suporte o seu conteúdo.
ComportamentoO Correio da Manhã pode, em caso de violação das presentes Regras, suspender por tempo determinado, indeterminado ou mesmo proibir permanentemente a possibilidade de comentar, independentemente de ser assinante do Correio da Manhã Premium ou da sua classificação.
O Correio da Manhã reserva-se ao direito de apagar de imediato e sem qualquer aviso ou notificação prévia os comentários dos Leitores que não cumpram estas regras.
O Correio da Manhã ocultará de forma automática todos os comentários uma semana após a publicação dos mesmos.
Para usar esta funcionalidade deverá efetuar login.
Caso não esteja registado no site do Correio da Manhã, efetue o seu registo gratuito.
Escrever um comentário no CM é um convite ao respeito mútuo e à civilidade. Nunca censuramos posições políticas, mas somos inflexiveis com quaisquer agressões. Conheça as
Inicie sessão ou registe-se para comentar.