Associação representa cerca de 400 produtores de cogumelos.
Os cogumelos conquistaram os portugueses e há cada vez mais variedades no mercado, com os japoneses "shiitake" a ganhar terreno aos "champignons" franceses, mas os produtores reclamam um setor mais organizado que facilite o escoamento da produção.
Ibraim Barbosa, presidente da direção da Unifungi, uma associação que representa cerca de 400 produtores de cogumelos, não tem dúvidas em apontar a falta de organização como o principal problema desta atividade, penalizando a comercialização.
"A maior dificuldade prende-se com o escoamento do produto. Temos alguns intermediários que chegaram mais cedo ao mercado nacional e conseguiram assegurar condições que lhes permitissem monopolizar o setor da agricultura e a fileira dos cogumelos, em particular".
"Eu acredito no potencial do cogumelo. Acho que há espaço para crescer, mas não vamos chegar lá comercializando cogumelo fresco", defendeu o responsável da Unifungi, apelando a uma maior aposta do setor agroalimentar nos produtos transformados que acrescentem "valor e inovação ao cogumelo", como por exemplo patês ou queijo com cogumelos.
O Governo está consciente da importância económica deste recurso e anunciou na sexta-feira a intenção de regular a apanha dos cogumelos silvestres que atualmente são recolhidos e vendidos "sem qualquer controlo, nomeadamente, para intermediários estrangeiros".
Do lado dos consumidores, o interesse é crescente e multiplicam-se os festivais gastronómicos e encontros micológicos em todo o país.
Este fim de semana é a vez da aldeia de Alcaide, no Fundão, valorizar o potencial dos Míscaros. A oportunidade foi aproveitada para inaugurar um centro de recolha de cogumelos, com vista a organizar a oferta e promover a segurança alimentar deste produto que já vale quatro milhões de euros para o concelho.
Para o residente da câmara local, Paulo Fernandes, legislar a apanha "é uma muito boa ideia".
O autarca salientou que é importante proteger o recurso e considerou que a regulamentação e certificação vão "criar mais valor", mostrando disponibilidade para "dar um contributo quando a legislação estiver em discussão pública".
A nível do cogumelo de cultura, o 'shiitake' é a principal espécie produzida em Portugal (80%). Ibraim Barbosa realçou que "tem havido uma mudança de mentalidades" dos portugueses face aos cogumelos e os produtores estão atentos às novas tendências.
"Antes basicamente falava-se do consumo de 'champignons'. Era o mais conhecido e continua a sê-lo, mas agora as pessoas vão tendo mais oferta junto das grandes superfícies e vão começando a perceber que há alternativas saudáveis ao 'champignon', como os 'shiitake'mas claro que demora o seu tempo a mudar", sublinhou.
Segundo dados da Autoridade de Gestão do PDR2020, nos últimos cinco anos foram apresentados 571 projetos de produção de cogumelos ao abrigo dos programas comunitários na agricultura (PRODER e PDR2020), num investimento total de cerca de 40 milhões de euros.
No entanto, as exportações não têm evoluído de forma favorável: enquanto em 2010, foram vendidas ao estrangeiro cerca de 4.500 toneladas de cogumelos num valor pouco superior a 9,5 milhões de euros, em 2015 a quantidade baixou para 2.800 toneladas e o valor para cerca de 5,5 milhões de euros.
França e Espanha são os principais compradores, de acordo com os dados do Gabinete de Planeamento, Políticas e Administração Geral do Ministério da Agricultura, Florestas e Desenvolvimento Rural relativos à exportação.
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