Movimento surgiu espontaneamente na sequência do ataque ao rebanho de ovelhas que pastava em Santa Maria de Geraz do Lima.
Produtores de gado lesados pelo ataque do lobo criaram um movimento nacional, alargado à Galiza, para acabar com a proteção ao lobo, face à "ação selvática e implacável" nos rebanhos, foi esta quarta-feira divulgado.
Em declarações à agência Lusa, o porta-voz da União dos Produtores de Gado Lesados pelo Lobo (UPGALL), Orlando Gonçalves, explicou que o movimento surgiu espontaneamente na sequência do ataque, em janeiro, ao rebanho de ovelhas que pastava em Santa Maria de Geraz do Lima, no concelho de Viana do Castelo.
Treze das 16 ovelhas que tinha foram mortas e o criador suspeita do lobo, que viu no dia seguinte a tentar atacar as suas éguas.
"Há uma alcateia alojada na freguesia de Nogueira, e que chega a Santa Luzia, que está a dizimar os garranos. Tem de ser uma alcateia numerosa pelos estragos que faz. Já foram vistos três no nó de acesso à Autoestrada 27 [entre Viana do Castelo e Ponte de Lima], em São Salvador da Torre", disse.
Olegário Gonçalves, que durante anos foi presidente da Associação de Agricultores do Alto Minho, decidiu voltar à vida associativa para "que seja banida a proteção ao lobo, que está a devorar tudo, com inúmeros ataques por todo o país".
O lobo ibérico (Canis lupus signatus) é uma espécie protegida em Portugal. A sua proteção é garantida pela Lei n.º 90/88, de 13 de agosto, que proíbe o abate ou captura do lobo em todo o território nacional, em qualquer época do ano, salvo em casos específicos.
Além disso, "a espécie é abrangida por várias legislações internacionais, incluindo a Convenção de Berna e a Convenção de Washington -- CITES".
O porta-voz da UPGALL apontou o caso de Espanha onde os lobos voltaram a poder ser caçados em Espanha, ao norte do rio Douro, na sequência de uma proposta aprovada, em março de 2025, no plenário do parlamento espanhol por quatro partidos de direita.
Orlando Gonçalves classifica de "terrorismo" os ataques do lobo ao gado e defendeu que a raça "é um tumor maligno que tem de ser extraído dos espaços destinados ao 'habitat' dos criadores".
O porta-voz garantiu que criadores de gado não vão parar e vão recorrer "às várias instâncias nacionais, inclusive europeias".
Na plataforma petição pública, estão a ser recolhidas assinaturas de apoio aos criadores. A petição foi criada no dia 03 e hoje já tinha quase 500.
Questionado sobre os apoios do Estado para fazer face aos ataques do lobo, Olegário Gonçalves disse que "é uma brincadeira de mau gosto".
"Pagam - quando pagam - uma miséria que nem sequer dá para a burocracia que o criador tem de preencher", referiu.
Segundo Orlando Gonçalves, "o Estado não pode manter a teia burocrática vigente, que só para comunicar os estragos é absurda e impraticável ao exigir aos criadores conhecimentos e meios para lidar com plataformas informáticas de quem complica para não pagar".
"Ao Estado e seus agentes exige-se que sejam pessoas de bem e boa-fé. O criador, por vezes, nem rede telefónica tem quanto mais conhecimento e acesso a plataformas informáticas", frisou.
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