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Professores condenam "discurso de ódio" promovido pelo Chega na Futurália

Chega esteve representado na FIL mas na banca da juventude partidária foram colocados cartazes polémicos.

16 de março de 2026 às 19:56

A Federação Nacional dos Professores (Fenprof) criticou esta segunda-feira a participação do Chega na Futurália, acusando o partido de ter promovido "discurso de ódio" através de cartazes numa feira para jovens que deve ser "um espaço educativo e formativo".

"A participação de forças políticas que difundam discursos impregnados de xenofobia, racismo, discriminação e exclusão contraria esses princípios e não pode ser encarada com normalidade", escreve a Fenprof em comunicado.

À semelhança de outros partidos, o Chega esteve representado na maior feira nacional sobre educação, que decorreu em Lisboa na semana passada, mas na banca daquela juventude partidária foram colocados cartazes onde se lia "Isto não é mesmo o Bangladesh (mas parece)" ou "Sorria, estamos a ser substituídos", numa referência à "teoria da Grande Substituição".

O conteúdo das mensagens foi esta segunda-feira criticado pela Fenprof, que considera tratar-se de "discurso de ódio", e de promoção de "ideias que atentam contra a dignidade da pessoa humana e contra os valores fundamentais da democracia".

Os representantes dos professores recordam que aquela feira de educação, dirigida sobretudo a jovens, deve ser um espaço de promoção do pluralismo e do respeito pelos direitos fundamentais.

"A Futurália deve afirmar-se como um espaço de encontro, de partilha de conhecimento, de abertura ao mundo e de promoção de valores humanistas, democráticos e solidários", escreve a Fenprof.

Acrescentando que esses valores constituem os alicerces da vida democrática, a federação condena o partido por utilizar a Futurália como "plataforma de propaganda político-partidária que expõe jovens estudantes a mensagens de caráter populista, autoritário e profundamente incompatíveis com os valores" da Constituição da República Portuguesa.

À semelhança da Fenprof, várias organizações condenaram a participação do Chega naquele evento, incluindo investigadores, instituições de ensino superior e associações anti-racistas.

O presidente do partido, André Ventura, lamentou os "ataques e falta de sentido democrático", dizendo que houve uma "tentativa de censura".

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