Ministério da Educação determinou a abertura de um inquérito às escolas que enviaram para classificação exames nacionais já depois da recolha formal.
Professores e sindicatos reagem com indignação, acusações de fuga a responsabilidades políticas e promessas de reação política e apoio jurídico, se necessário, ao inquérito aos atrasos das escolas no envio de exames para classificação, anunciado pelo Ministério da Educação.
"Esta parece ser uma imagem de marca do ministro que é empurrar, passar responsabilidades, procurar fugir às responsabilidade, por uma medida que resulta em decisões e falhas da tutela, e este pedido de inquérito, de certa forma, é uma forma de desviar a atenção do caos que marcou todo o processo", disse à Lusa José Feliciano da Costa, co-secretário-geral da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).
O Ministério da Educação determinou na segunda-feira a abertura de um inquérito às escolas que enviaram para classificação exames nacionais já depois da recolha formal por parte das forças de segurança, bem como aos pedidos de reapreciação submetidos tardiamente.
José Feliciano da Costa sublinhou que "as escolas e as pessoas fizeram tudo o que lhes competia e até mais do que isso" e "trabalharam sob uma enorme pressão" para cumprir todos os procedimentos.
O sindicalista acusou o ministro Fernando Alexandre de querer "encontrar bodes expiatórios" para um processo em relação ao qual o próprio governante apontou as falhas na digitalização como origem.
"O processo foi montado sem garantias de que corresse bem, como não correu, sem plano de contingência, mal preparado, com muito amadorismo. E esta é a responsabilidade do ministro da Educação", disse José Feliciano da Costa.
Daí que a Fenprof não aceite que se passem culpas para as escolas e professores, frisando que os secretariados de exames "fazem isto há muito tempo, estão preparadíssimos para isto", e recuse a intenção do Governo, ao avançar com este inquérito, de "analisar o problema pela última etapa".
A Fenprof afirma-se preparada para prestar todo o "apoio jurídico e político" às escolas e professores e impedir qualquer sanção, recorrendo a todas as instâncias necessárias, incluindo o Presidente da República e a Assembleia da República.
Já o Movimento Escola Pública (MEP) reagiu "com bastante indignação" ao anunciado inquérito, que considera "uma falta de respeito para com os professores e com as escolas", que são quem "efetivamente está a garantir que o caos não seja maior".
"Entendemos que será muito importante que em setembro tenha lugar a comissão de inquérito parlamentar para efetivamente ter as verdadeiras responsabilidades em todo este processo, não é certamente nas escolas nem nos professores que está essa causa", disse Cristina Mota, do MEP.
Lembrou, por exemplo, que muitos alunos só tiveram acesso às suas provas e classificações em data posterior à da afixação dos resultados oficiais, "portanto é normal que só mais tarde tivessem reunido as condições para que as escolas pudessem enviar o pedido de apreciações"
"Entendemos que há uma posição política, portanto, Fernando Alexandre tem perfeita consciência de quem é responsável por todo este caos", disse Cristina Mota, do MEP, acrescentando que esta é "mais uma" a juntar a todas as posições políticas que o ministro tem assumido.
E duvida também que se possam atribuir às escolas responsabilidades por eventuais atrasos no envio de exames nacionais para classificação na primeira fase, sublinhando também ela que os secretariados são os mesmos há vários anos: "Temos de procurar qual a variável que efetivamente agora temos de diferente, e que levou a termos uma diferença nos resultados".
Para já o MEP aguarda por desenvolvimentos em relação à auditoria, mas Cristina Mota espera uma "posição firme" dos diretores escolares em relação ao que se está a passar.
Pela primeira vez este ano, os exames nacionais do ensino secundário foram avaliados em formato digital, mas o processo registou várias falhas técnicas, obrigando ao adiamento por alguns dias da divulgação das notas.
Apesar destes atrasos, o Ministério manteve os calendários de candidatura da 1.ª fase do concurso nacional de acesso ao ensino superior, que terminou na quinta-feira e cujos resultados serão divulgados no dia 23 de agosto.
O ministro da Educação tem reconhecido as falhas, registadas sobretudo durante a 1.ª fase dos exames, e solicitou ao Conselho Nacional de Educação a elaboração de um relatório sobre o sistema de avaliação externa, incluindo o processo de classificação eletrónica.
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