Quanto à energia elétrica, Isabel Marto referiu que 15% da população ainda não tem eletricidade, num concelho com cerca de 52 mil habitantes.
A vice-presidente da Câmara de Pombal, Isabel Marto, admitiu esta quarta-feira que quase todas as casas no município têm danos devido à depressão Kristin, que há 15 dias atingiu gravemente este concelho do distrito de Leiria.
"Quando passamos em qualquer via, percebemos que quase todas as casas foram atingidas, nem que seja de forma parcial. Algumas já foram recuperadas, mas, dificilmente, haverá alguma aldeia que tenha sido preservada", declarou Isabel Marto à agência Lusa.
Segundo a autarca, 70 ou 80% das casas do concelho têm estragos.
"É um levantamento que estamos a fazer. E agora, com as plataformas e a entrada em vigor dos apoios à recuperação das casas de habitação permanente, iremos ter um valor mais correto, mas houve danos parciais, eu diria, em 70% ou 80% das casas", referiu.
Reconhecendo que as condições climatéricas desde o dia 28 de janeiro, quando a depressão Kristin atingiu sobretudo a região Centro, não têm ajudado, a vice-presidente explicou que, ainda assim, "muitas coberturas foram colocadas de forma provisória".
"Não se conseguiu chegar a todo o lado e eu acho que agora as nossas forças, os nossos recursos, têm de ser canalizados no sentido de ajudar os nossos munícipes a recuperar as suas casas", adiantou.
Quanto à energia elétrica, Isabel Marto referiu que 15% da população ainda não tem eletricidade, num concelho com cerca de 52 mil habitantes, reconhecendo que, a cada dia que passa, é "cada vez mais difícil" conseguir-se estabilizar a distribuição de água.
No que diz respeito às telecomunicações, com o concelho a manter dificuldades, lamentou a ausência de contactos por parte das operadoras, para salientar que agora é a autoridade reguladora das comunicações, a Anacom, que está a intermediar e a dar "alguma informação" à autarquia.
Já a limpeza das principais vias rodoviárias foi feita, disse, avisando, contudo, que "ainda há muito trabalho" de retirada das madeiras e limpeza das linhas de água, que vai "durar muitos meses".
Por outro lado, realçou a reabertura, esta semana, de todas as escolas do concelho, apesar de 31 de um total de 35 terem registado prejuízos.
Duas semanas após o impacto da depressão Kristin, a autarca admitiu que a realidade demonstra que não se está bem preparado para este tipo de fenómeno natural.
"Portanto, temos de reordenar o nosso território, preparar as nossas infraestruturas básicas de forma diferente e termos planos de resiliência mais consistentes", assumiu.
Frisando que todo o concelho foi atingido, a vice-presidente defendeu para o futuro soluções que passam por depósitos de água preparados nas infraestruturas estratégicas, mais quantidades de geradores ou alternativas para as comunicações móveis.
"Tempos de pensar no futuro e estarmos mais bem preparados", acrescentou.
Agradecendo a mobilização da comunidade e do país, com voluntários, empresas especializadas e maquinaria, assim como as doações, sobretudo de materiais de construção, Isabel Marto considerou que a população percebe que "ainda há muito para fazer, mas que já se avançou muito".
Quinze pessoas morreram em Portugal desde 28 de janeiro na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até domingo para 68 concelhos e anunciou medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
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