Estimativa "é ainda pouco consolidada", faltando "avaliações precisas", ressalvou o diretor Departamento do Património Cultural.
A reconstrução do edificado na Diocese de Leiria-Fátima vai custar pelo menos 12 milhões de euros, após cerca do metade do património ter sido atingido pela depressão Kristin, indicam os primeiros cálculos.
A estimativa "é ainda pouco consolidada", faltando "avaliações precisas", porque "a zona centro do país está ainda a viver tempos de angústia", ressalvou à agência Lusa o diretor do Departamento do Património Cultural da Diocese de Leiria-Fátima.
Contudo, de acordo com Marco Daniel Duarte, o cálculo já feito "ronda, neste momento, os 12 milhões de euros".
"Mas penso que, quando se fizerem os orçamentos pormenorizados a partir de empresas especializadas para intervenção em património, esta verba será insuficiente", referiu.
A depressão Kristin deixou em Leiria-Fátima "uma marca que apenas poderemos comparar a cataclismos mais antigos na história deste território".
"A degradação dos edifícios aconteceu de forma abrupta, ao mesmo tempo, a partir da fatídica madrugada do dia 28 de janeiro", recordou.
Em consequência, por toda a diocese há património arruinado, quadro agravado "a partir das sucessivas depressões que, a seguir, aceleraram o processo de degradação dos edifícios".
Naqueles que tinham pináculos ou fogaréus, os elementos "caíram sobre os telhados e chegaram a destruir os forros das igrejas", disse.
"As balaustradas pétreas e outros elementos ornamentais foram também afetados. Das torres sineiras às portas e janelas - algumas com elementos artísticos - dos templos existem danos muito profundos", detalhou.
Mesmo com a dificuldade da "falta de comunicações e obstrução de vias", no território a prioridade foi recolocar coberturas e salvaguardar património móvel, "como imagens de devoção, por exemplo".
Nenhuma área da diocese escapou, alastrando a destruição a igrejas dos concelhos de Leiria, Marinha Grande, Batalha, Porto de Mós, Ourém, Pombal, Alcanena e Alcobaça.
O levantamento feito indica que "cerca de metade do património se viu gravemente afetada", situação já comunicada ao instituto público Património Cultural e às autarquias de Ourém e Leiria.
Há diversos casos mais preocupantes, a começar pelo Santuário de Nossa Senhora da Encarnação, que se destaca na paisagem de Leiria.
"Tornou-se o ícone de toda a tempestade, mas são múltiplos os edifícios com danos graves, alguns em património classificado, como a [Sé] catedral, que é monumento nacional".
Há estragos em património que não se encontra classificado, mas "que mostra diferentes tipos de esmero estético, como acontece com o Santuário dos Milagres ou com as paroquiais de Santa Eufémia ou de Vermoil".
Nas várias igrejas afetadas, as comunidades continuam "a celebrar a sua fé", em "lugares diferentes dos habituais", como igrejas que se conservaram e outros que permitam "a celebração da liturgia com dignidade".
A pensar na recuperação, decorre uma campanha da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre.
"A Diocese de Leiria-Fátima recebeu com muita comoção esta iniciativa, pois esta Fundação, normalmente vocacionada para o auxílio de latitudes geográficas ligadas a situações de perseguição religiosa, percebeu as dificuldades das populações da zona centro do país", afirmou Marco Daniel Duarte.
Mas, "sem um compromisso do Estado não será possível devolver à comunidade este património".
O processo tem sido acompanhado pelo presidente do Património Cultural, João Soalheiro, mas há "o maior receio" que seja apenas dada prioridade ao património classificado, "descurando o património que, efetivamente, se encontra no convívio quotidiano das populações":
Este património, "que os seus antepassados construíram, grita por socorro", e constitui, em muitos lugares, "os únicos edifícios notáveis".
"Juntamente com um cruzeiro, uma fonte ou umas alminhas, são as igrejas paroquiais", explicou.
Marco Daniel Duarte teme que "não seja ainda desta vez que haja coragem de canalizar verbas para socorrer o património dos mais afastados dos círculos artísticos que a história da arte de elite estuda".
"Não tenho dúvidas: a forma como tratarmos este património espelhará a ideia que temos dos que nele vivem", concluiu.
Dezasseis pessoas morreram em Portugal na sequência da passagem das depressões Kristin, Leonardo e Marta, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações, inundações e cheias são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
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