Criminoso tentou comprar propriedade de Céline Dion em Jupiter Island. Propriedades nas Ilhas Virgens Britânicas serviam de centro para tráfico sexual.
Criminoso tentou comprar propriedade de Céline Dion em Jupiter Island. Propriedades nas Ilhas Virgens Britânicas serviam de centro para tráfico sexual.
Em julho de 2019, Jeffrey Epstein foi acusado de explorar e abusar sexualmente de dezenas de raparigas menores de idade. Muitos desses crimes tiveram lugar nas suas muitas residências espalhadas pelo Mundo, de Nova Iorque às Ilhas Virgens, de Paris a Palm Beach. Após a morte de Epstein, a sua fortuna foi avaliada em cerca de 487 milhões de euros, sendo que o seu património imobiliário somava cerca de 100 milhões. Entre 2021 e 2023, essas propriedades foram vendidas por aproximadamente 135 milhões de euros e grande parte desse valor foi destinado ao Programa de Compensação às Vítimas de Epstein — um fundo criado em 2020 para compensar financeiramente mais de 100 mulheres que foram abusadas sexualmente pelo empresário — e a um fundo fiduciário para dar apoio às vítimas nas Ilhas Virgens Americanas, onde tinha duas propriedades. Pelo menos outros dois imóveis em New Albany, no Ohio — residência de Leslie Wexner, empresário bilionário, antigo presidente da Victoria’s Secret e um dos principais clientes de Epstein — foram vendidas ou transferidas anos antes da sua morte, em 2019, na prisão.
Durante muito tempo, Epstein quis comprar a propriedade à beira-mar de Céline Dion em Jupiter Island, na Florida. A propriedade de 2,3 hectares, apelidada de ‘mini-Disney’, acabou por ser vendida em 2017 por 23,5 milhões. Antes, tentou adquirir, em leilão, Maison de l’Amitié, um palacete francês em Palm Beach. Contudo, este acabou por ser comprado por Donald Trump, em 2005, por cerca de 35 milhões de euros.
Jeffrey Epstein possuía uma coleção de imóveis de luxo, mas onde passava mais tempo era nas mansões de Nova Iorque e de Palm Beach, ou nas Ilhas Virgens
Uma das principais moradas de Jeffrey Epstein era a mansão neoclássica de sete andares e 40 divisões no Upper East Side de Manhattan, Nova Iorque. Construída para Herbert Straus, herdeiro da Macy’s, na década de 1930, foi comprada em 1989 pelo magnata Leslie Wexner. Em 2011, este transferiu a propriedade para a Maple Inc., empresa sediada nas Ilhas Virgens Americanas e controlada por Epstein. A casa, que durante anos foi cenário de crimes sexuais, foi vendida em 2021 a Michael Daffey, ex-executivo da Goldman Sachs, por 43 milhões de euros.
Outra propriedade que aparece no processo federal contra Epstein é a casa de 1300 metros quadrados e seis quartos em Palm Beach, Florida, revistada pela polícia em 2005, quando foi acusado do crime de solicitação de prostituição. O predador sexual comprou-a em 1990, por 1,3 milhões de euros, cinco anos depois de Donald Trump ter comprado Mar-a-Lago, a cerca de três quilómetros dali. Em 2020, a ‘casa dos horrores’ foi demolida e o terreno vendido, oito meses depois, por cerca de 21,9 milhões de euros.
Em 1998, Epstein comprou a ilha Little St. James, nas Ilhas Virgens Britânicas, por 6,7 milhões de euros. Com mais de 28 hectares, ficou conhecida como a ‘ilha dos pedófilos’ por supostamente ser o centro da sua rede de tráfico sexual. Em 2016, adquiriu a ilha vizinha, Great St. James, com mais de 65 hectares, por cerca de 19 milhões. Em 2023, o espólio de Epstein vendeu as ilhas - onde foi construído um ‘templo do sexo’ - ao bilionário Stephen Deckoff, que pretende agora construir um resort de luxo no local.
Epstein tinha ainda um rancho no Novo México, um apartamento de 688 m2 no sofisticado 16.º ‘arrondissement’ de Paris, com vista para o Arco do Triunfo, e duas propriedades em New Albany, no Ohio.
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Demissão na Goldman Sachs
Uma das principais advogadas da Goldman Sachs, Kathryn Ruemmler, demitiu-se depois de terem sido trazidos a público documentos que expunham a próxima relação que mantinha com Epstein, a quem chamava “tio Jeffrey”. A advogada terá recebido presentes do criminoso sexual e aconselhou-o sobre como lidar com as perguntas da imprensa sobre os crimes cometidos. Apesar de a advogada ter tentado um afastamento sobre a temática Epstein, chegando até a nomeá-lo como um “monstro”, os emails divulgados pelo Departamento de Justiça norte-americano colocaram-na no centro da polémica.
PORMENORES
Jagland em xeque
A polícia norueguesa realizou esta semana buscas em propriedades do antigo primeiro-ministro Thorbjorn Jagland, no âmbito de uma investigação relacionada com Epstein. Os ficheiros indicam que Jagland e a família terão passado férias com o criminoso entre 2011 e 2018, quando o político presidia ao Comité Nobel.
Sulayem demite-se
O empresário Ahmed bin Sulayem, CEO da multinacional de logística do Dubai DP World, apresentou a sua demissão após o seu nome ter aparecido nos documentos do predador sexual. Numa troca de mensagens, Epstein escreve a Bin Sulayem dizendo que tinha “adorado” o “vídeo da tortura”, sem dar mais detalhes.
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