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Correio da Manhã

Sociedade
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Remédios inovadores para o intestino só no serviço público

Doentes foram obrigados a procurar médicos de hospitais públicos.
Sónia Trigueirão 19 de Maio de 2018 às 09:16
Além do gastroenterologista, pode ser necessário o acompanhamento de outros especialistas
Médicos
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Além do gastroenterologista, pode ser necessário o acompanhamento de outros especialistas
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Além do gastroenterologista, pode ser necessário o acompanhamento de outros especialistas
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Os medicamentos biotecnológicos, que começaram a aparecer a partir de 2000, ajudaram muito os doentes com Doenças Inflamatórias do Intestino (DII), nomeadamente com Crohn e Colite Ulcerosa.

No entanto, desde final de 2017 que apenas podem ser prescritos por médicos especialistas em gastroenterologia das unidades do Serviço Nacional de Saúde (SNS), o que obrigou muitos doentes, que eram seguidos no privado, a transferirem-se para estabelecimentos do SNS, uma vez que estes medicamentos são comparticipados a 100 por cento.

Ana Sampaio, presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino, diz que, apesar de no início a medida ter causado apreensão nos doentes, não tem conhecimento de casos de pacientes que não tenham sido seguidos no SNS. As DII, representadas principalmente pela doença de Crohn e Colite Ulcerosa, são doenças crónicas, com períodos de crise e acalmia.

De acordo com Marília Cravo, médica gastroenterologista, as causas para estas doenças ainda não estão totalmente esclarecidas, podendo estar relacionadas com o consumo de comidas processadas, além de fatores hereditários e imunológicos.

Confundiram sintomas com nervos
Ana Sampaio é a presidente da Associação Portuguesa da Doença Inflamatória do Intestino e sofre de doença de Crohn. Foi diagnosticada há 18 anos. Sofreu durante seis meses até que lhe conseguiram diagnosticar a doença.

"Estávamos em 2000 e inicialmente os médicos acharam que eram nervos devido à preparação do casamento", conta, acrescentando que só conseguiram diagnosticar a doença quando, além das diarreias, começou a ter "inchaço nos cotovelos e nos joelhos".

Aprendeu a viver com a doença e garante que não tem restrições no dia a dia quando não está a sofrer uma crise.

"Comum em jovens" 
Marília Cravo, médica gastroenterologista
CM: A que sintomas é que as pessoas devem estar atentas?

Marília Cravo– Diarreias persistentes durante três a quatro semanas e sangue nas fezes.
– Como são diagnosticadas as doenças inflamatórias do intestino?
Fazem-se exames ao sangue e às fezes. E a colonoscopia com biopsia é determinante.
– Um acompanhamento multidisciplinar é importante?
– Sim. Muitas vezes, os doentes precisam do reumatologista ou dermatologista.
- Que população é mais atingida pela doença?
–Atinge ambos os sexos, sendo mais comum nos jovens, entre 20 e 40 anos.
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