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Correio da Manhã

Sociedade
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Hipertermia traz nova esperança a doentes com cancro

Aumento da temperatura corporal leva à destruição de células cancerígenas.
Ana Silva Monteiro 5 de Maio de 2018 às 08:13
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto, junto à máquina de hipertermia de corpo inteiro
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
Tratamento de hipertermia
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto, junto à máquina de hipertermia de corpo inteiro
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
Tratamento de hipertermia
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto, junto à máquina de hipertermia de corpo inteiro
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto
Tratamento de hipertermia
Hipertermia é o nome do método inovador usado para o tratamento do cancro e que vem dar uma nova esperança aos doentes oncológicos. Este novo método utilizado em tumores malignos promove, através do aumento da temperatura corporal acima do nível fisiológico, a destruição das células cancerígenas.

"A hipertermia já existe há alguns anos e tem vindo a ser desenvolvida principalmente nos últimos 30 anos. É um método em que se utiliza de forma induzida o aumento da temperatura. As células cancerígenas estão mais frágeis e não resistem às elevadas temperaturas", explica António Moreira Pinto, oncologista do hospital CUF Porto.

Neste tratamento existem dois equipamentos: um que realiza hipertermia locorregional e outra que trata o corpo inteiro. "A diferença entre os dois é que a local é para doentes que tenham um único cancro, enquanto a outra é para pessoas que tenham cancros em vários órgãos. Nas duas máquinas atingem-se temperaturas elevadas sem provocar danos nos tecidos normais, só nas células tumorais ", conta o médico.

Este método é utilizado em simultâneo com outros tratamentos, como a quimioterapia e a radioterapia. "Este tratamento não tem químicos associados. Através do calor fazemos vibrar as células tumorais, com uma frequência baixa, o que faz com que sejam destruídas. Existe também uma dilatação maior dos órgãos, permitindo que os outros tratamentos sejam mais eficazes", frisa.

O hospital CUF Porto é a primeira unidade em Portugal a utilizar os dois equipamentos.

Júlia já se sente melhor ao fim de 4 sessões 
Júlia Vidago, 54 anos, sofre de cancro nos intestinos metastizado para o fígado e pulmão e utiliza o tratamento de hipertermia. "Sou de Braga e quando soube deste novo método não pensei duas vezes em ser seguida no Porto.

Este tratamento deu-me uma nova esperança", disse Júlia, que em quatro sessões de tratamento já nota melhorias. "Às vezes é complicado estar na máquina, é mesmo muito calor. No primeiro tratamento senti-me com febre, mas agora não tenho sintomas", salienta.

CUF satisfeito com tratamento 
O hospital CUF Porto tem a máquina de hipertermia local há dois anos e a de corpo inteiro há seis meses, e já têm casos de sucesso na regressão de tumores. "Temos verificado que até os doentes bastante metastizados apresentam uma resposta positiva de 60%", explica António Moreira Pinto.

PORMENORES
Todos os tipos de cancro
O novo método é utilizado em qualquer tipo de tumor primário ou metastático, e com doentes de várias idades. O tratamento dura entre 1 a 3 horas. Em alguns casos, os efeitos secundários passam por febre.

Métodos de tratamento
A hipertermia é utilizada em simultâneo com os outros tipos de tratamentos, como a radioterapia e a quimioterapia. "Associado aos outros tratamentos, existe um aumento de respostas", frisa António Moreira Pinto, oncologista.

Sem comparticipação
Esta técnica não é comparticipada e só existe em hospitais privados. "Acho que o tratamento é suportável para a maioria das carteiras", diz o médico.
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