Em causa está um passe mensal que custa 130 euros, sendo que o município comparticipava com 40% desse valor.
Os utentes da carreira rodoviária da Auto Viação do Minho que se deslocam entre Viana do Castelo e o Porto consideram que o cancelamento do cartão de desconto por parte do município de Viana a quem não é "utilizador intensivo" é uma decisão "perfeitamente injusta, injustificada e carecida de qualquer razoabilidade". A autarquia confirma o fim do desconto para quem faz menos de 15 viagens por mês, assegura que o apoio é mantido para os munícipes que se deslocam regularmente por motivos de saúde e assegura que quer "incentivar o uso do transporte público".
Em causa está um passe mensal que custa 130 euros, sendo que o município comparticipava com 40% desse valor, ficando a quantia a suportar pelos cidadãos em 78 euros. "Na verdade, verifica-se uma vez mais que os cidadãos do município de Viana do Castelo continuam a ser deixados para trás", referem os representantes daqueles utentes numa nota enviada ao CM.
É ainda referido que o município de Esposende, igualmente servido pelo autocarro expresso em questão, "teve a perceção do grave problema de mobilidade com que os seus munícipes se depararam e rapidamente encontrou uma solução que tem levado a que, semana após semana, surjam novos passageiros que entram em Esposende munidos do respetivo cartão de residente, sem qualquer obrigatoriedade mínima de utilização do serviço, incrementando e praticando uma verdadeira política de promoção de utilização dos transportes públicos e de adaptação aos novos modelos empresariais de regimes de trabalho, que faz com que os colaboradores se desloquem apenas duas a três vezes por semana à empresa".
Questionado pelo Correio da Manhã, o município de Viana do Castelo esclarece que "o desconto extraordinário concedido visou apoiar os utilizadores intensivos da carreira Viana–Porto–Viana, possuidores de passe mensal de forma a que despendessem aproximadamente da mesma quantia que pagariam pelo passe, o que implicaria um número estimado/mínimo de viagens, a avaliar decorrido o primeiro mês de implementação da medida, levando ao cancelamento dos cartões que não atingissem esse mínimo". Acrescenta que foi definido que "o número mínimo de viagens mensais seria de 15, que abrange mais utilizadores do que o correspondente ao referido passe, permitindo também o seu uso por quem alterna o trabalho presencial e o teletrabalho, bem como períodos de férias e faltas". A autarquia assegura ainda que "decidiu alargar esta medida de forma a contemplar doentes com consultas/tratamentos regulares em unidades de saúde do Porto".
Desta forma, "é verdade que foram cancelados cartões com uso inferior a 15 viagens, mas mantiveram-se todos os outros cartões com uso superior e também os dos munícipes que se deslocam regularmente por motivos de saúde". O município acrescenta ainda: "Queremos incentivar o uso do transporte público e tentamos dentro das possibilidades motivar os nossos munícipes para tal. É na persecução desse ideal que a Câmara Municipal de Viana do Castelo está a desenvolver um Plano de Mobilidade Urbana Sustentável, cujo foco é a descarbonização e a inclusão, pelo que esta medida se enquadra perfeitamente nesse desígnio. Esta autarquia é sensível às preocupações expressas. Tentamos ser o mais abrangentes possível na medida adotada e estaremos sempre disponíveis para ouvir e em conjunto encontrar as melhores soluções".
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