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Ser vegetariano está associado a um menor risco de cinco tipos de cancro

Vegetarianos apresentam menos risco de cancro do pâncreas, da próstata, da mama, do rim e de mieloma múltiplo.

27 de fevereiro de 2026 às 16:08

Um estudo internacional concluiu que os vegetarianos apresentam um risco “substancialmente mais baixo” de desenvolver cinco tipos de cancro, incluindo alguns dos mais frequentes na população. A investigação foi publicada na revista científica British Journal of Cancer e baseou-se em dados de mais de 1,8 milhões de pessoas acompanhadas ao longo de vários anos.

Os resultados indicam que, em comparação com pessoas que consomem carne, os vegetarianos apresentam menos 21% de risco de cancro do pâncreas, menos 12% de risco de cancro da próstata, menos 9% de risco de cancro da mama, menos 28% de risco de cancro do rim e menos 31% de risco de mieloma múltiplo.

A investigadora principal, Aurora Pérez-Cornago, afirmou que os dados constituem uma notícia muito positiva para quem segue uma dieta vegetariana, sublinhando que vários dos cancros analisados são altamente prevalentes, de acordo com o jornal The Guardian.

Para ultrapassar limitações de investigações anteriores, que incluíam poucos vegetarianos e veganos, os investigadores reuniram dados de múltiplos estudos internacionais sobre dieta e saúde. No total, foram analisados cerca de 1,64 milhões de consumidores de carne, 57.016 consumidores de aves (sem carne vermelha), 42.910 pescetarianos, 63.147 vegetarianos e 8.849 veganos. Os participantes foram acompanhados durante uma média de 16 anos e foram considerados fatores que podem influenciar o risco de cancro, como o índice de massa corporal e o tabagismo.

O estudo avaliou 17 tipos diferentes de cancro, incluindo cancros do trato gastrointestinal, pulmão, sistema reprodutor, sistema urinário e cancros do sangue.

Apesar dos resultados globalmente positivos, os investigadores identificaram algumas associações menos favoráveis. Os vegetarianos apresentaram quase o dobro do risco de desenvolver o tipo mais comum de cancro do esófago, o carcinoma de células escamosas, em comparação com consumidores de carne. Os cientistas sugerem que esta associação poderá estar relacionada com possíveis défices nutricionais, nomeadamente de vitaminas do complexo B.

Já os veganos demonstraram um risco 40% superior de cancro colorretal face aos consumidores de carne. Uma das explicações avançadas prende-se com a ingestão média reduzida de cálcio, cerca de 590 mg por dia, abaixo da recomendação de 700 mg no Reino Unido, e de outros nutrientes essenciais.

Importa salientar que não foi encontrada evidência de que os vegetarianos tenham menor risco de cancro do intestino quando comparados com consumidores de carne. Segundo os investigadores, poderá dever-se ao facto de os níveis de consumo de carne vermelha e processada neste conjunto de dados serem relativamente baixos.

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