Em causa está a transição de carreiras dos antigos assistentes operacionais para os atuais técnicos auxiliares de saúde.
O Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Região Autónomas (STFPSSRA) alertou esta quinta-feira que os técnicos auxiliares de saúde estão, alegadamente, a ser alvo de "pressões, assédio e ameaças" pela Administração do Hospital da Horta.
"Os trabalhadores continuam a ser alvo de pressões, assédio e ameaças, tentando levá-los a desempenhar funções que não lhes competem", explicou João Decq Mota, dirigente sindical, em conferência de imprensa, na cidade da Horta, adiantando que esta situação representa uma "profunda injustiça" laboral.
Em causa está a transição de carreiras dos antigos assistentes operacionais para os atuais técnicos auxiliares de saúde, ocorrida em 2023, mas que, segundo sindicato, "nunca foi plenamente respeitada" pelo Hospital da Horta.
Segundo João Decq Mota, muitos trabalhadores que fizeram essa transição de carreiras "continuam a ser obrigados a desempenhar funções de limpeza hospitalar", tarefas que "não fazem parte das suas competências profissionais".
"Importa referir que esta situação não acontece nos outros hospitais da região, onde foram criadas brigadas de limpeza próprias, externas aos serviços hospitalares, para assegurar essas tarefas", disse o dirigente sindical, lamentando que, no caso do Hospital da Horta (o mais pequeno da região), passados três anos, a situação ainda se mantenha sem solução.
João Decq Mota lembrou que tanto os trabalhadores em causa, como o próprio sindicato, já haviam alertado a Administração daquela unidade de saúde para esta "injustiça laboral", mas lamenta que as respostas tenham sido, invariavelmente, as mesmas: "falta de verbas, falta de meios ou ausência de solução imediata".
Segundo o STFPSSRA, a Administração do Hospital da Horta chegou a abrir um concurso para a contratação de uma brigada de limpeza, mas o serviço não chegou a ser adjudicado porque as empresas concorrentes, alegadamente, "não reuniam as condições necessárias".
"Os trabalhadores deixaram de realizar tarefas de limpeza, que não fazem parte das suas funções. Entretanto, o trabalho acumula-se, o ambiente degrada-se e os trabalhadores encontram-se cansados, desmotivados e profundamente indignados com a falta de solução para um problema que deveria ter sido resolvido há muito tempo", lamentou João Decq Mota.
O STFPSSRA chegou a convocar uma greve dos técnicos auxiliares de saúde do Hospital da Horta para 16 de março (segunda-feira), com o objetivo de denunciar publicamente esta situação e exigir uma "solução definitiva" para o problema, mas a paralisação foi, entretanto, desconvocada, depois de a Administração do Hospital da Horta ter garantido que uma nova brigada de limpeza entraria ao serviço no próximo dia 30 de março.
"Foi decidido, por unanimidade, suspender a greve do dia 16 de março, mantendo o pré-aviso e remarcando a mesma greve para o dia 06 de abril, com concentração à porta do Hospital da Horta", explicou João Decq Mota, manifestando a esperança de que, até lá, "esta situação seja finalmente resolvida, com respeito pelos profissionais, pela lei e pelo bom funcionamento dos serviços de saúde".
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