Representante do SNBS critica o executivo municipal por insistir num modelo político de coordenação da Proteção Civil, em vez de um modelo técnico.
O presidente do Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores alertou esta terça-feira para o "caos no socorro" na cidade de Lisboa, criticando o executivo municipal por insistir num modelo político de coordenação da Proteção Civil, em vez de um modelo técnico.
"A solução sempre foi clara e histórica: devolver a coordenação da Proteção Civil Municipal ao Regimento de Sapadores Bombeiros. Era assim que funcionava e funcionava bem", afirmou o presidente do Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores (SNBS), Ricardo Cunha, numa intervenção na reunião da Assembleia Municipal de Lisboa (AML), no período de intervenção aberto ao público.
O representante do SNBS já tinha intervindo numa reunião da AML em janeiro de 2024, em que também apresentou um discurso crítico em relação ao executivo municipal de Lisboa, sob presidência de Carlos Moedas (PSD).
"Regresso a esta tribuna com um sentimento de profunda preocupação. No início de 2024, estive aqui para vos alertar sobre o caos no socorro da cidade de Lisboa. Infelizmente, o tempo passou e as coisas não melhoraram, pelo contrário, agravaram-se", salientou o sindicalista e bombeiro sapador na capital.
Ricardo Cunha referiu que com o afastamento da anterior diretora municipal de Proteção Civil, Margarida Castro Martins, "nasceu a esperança que o socorro e a segurança dos lisboetas pudessem finalmente estabilizar, mas essa esperança foi curta".
Na perspetiva do representante dos bombeiros sapadores, a nomeação do atual coordenador municipal de Proteção Civil, André Fernandes, "prova que o executivo continua a ignorar os alertas técnicos do Sindicato Nacional dos Bombeiros Sapadores e os próprios profissionais que estão no terreno".
Defendendo que a coordenação da Proteção Civil Municipal deve estar a cargo do Regimento de Sapadores Bombeiros de Lisboa, o presidente do SNBS afirmou que "ao insistir num modelo político, em vez de um modelo técnico, o executivo mantém a cidade num estado de anarquia no socorro, que é no mínimo irresponsável".
Neste sentido, Ricardo Cunha avisou que o SNBS estará vigilante sobre a atuação do novo coordenador municipal da Proteção Civil.
"Se o caos persistir, voltaremos a esta assembleia as vezes que forem necessárias para denunciar todas as irregularidades", reforçou o sindicalista.
Dirigindo-se aos deputados da AML, o presidente do SNBS realçou o papel de fiscalização do executivo municipal: "Se não o fizerem perante o que se passa na Proteção Civil, serão coniventes e cúmplices de qualquer tragédia que venha a ocorrer por falta de coordenação".
"Existem situações ainda mais graves que hoje não abordarei, mas que são do nosso conhecimento, e algumas delas, infelizmente, já levaram à perda de vidas", declarou.
Na sua intervenção, Ricardo Cunha disse ainda que "Lisboa merecia mais responsabilidade de quem a gere", considerando que "parece que nada se aprende" com as tragédias que já assolaram a cidade, bem como as que assolam atualmente o país.
O representante dos bombeiros sapadores assinalou ainda o estado da "nova democracia" e considerou "lamentável" que não consiga intervir nas sessões de câmara, referindo que a obrigatoriedade de identificação prévia do tema "serve apenas como filtro para impedir que as verdades incómodas cheguem ao executivo".
"Se os senhores deputados forem pessoas crentes, rezem muito para que eu não tenha de cá voltar, mas, olhando para a atual gestão, acredito que nos veremos muito em breve", concluiu.
No atual mandato (2025-2029), a Câmara Municipal de Lisboa é presidida pelo reeleito Carlos Moedas (PSD), que continua a governar a cidade sem maioria absoluta.
O executivo municipal, que é composto por 17 membros, integra oito eleitos da coligação PSD/CDS-PP/IL, os únicos com pelouros atribuídos, e nove vereadores da oposição, designadamente quatro do PS, dois do Chega, um do Livre, um do BE e um do PCP.
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