Salário de ingresso de um enfermeiro na administração pública, a partir de janeiro deste ano, é de 1.670 euros, enquanto num estabelecimento de saúde representado pela APHP é de 1.350 euros.
O Sindicato de Enfermeiros Portugueses (SEP) exigiu esta sexta-feira um aumento de salários e a redução de horários para os profissionais do setor privado em estabelecimentos representados pela Associação Portuguesa Da Hospitalização Privada (APHP).
"Só na APHP é que temos horários de 40 horas semanais. E horários de 40 horas semanais muito mal renumerados", disse à Lusa o dirigente nacional do SEP para o setor privado, Rui Marroni, após uma concentração para reivindicar melhores condições de trabalho, em Coimbra.
Rui Marroni indicou que as principais reivindicações do SEP são horários de trabalho de 35 horas semanais, uma vez que os enfermeiros do Serviço Nacional de Saúde e de outras instituições privadas já fazem este horário.
O dirigente disse que o salário de ingresso de um enfermeiro na administração pública, a partir de janeiro deste ano, é de 1.670 euros, enquanto num estabelecimento de saúde representado pela APHP é de 1.350 euros.
"É uma diferença abismal", considerou, adiantando que a APHP recusou negociar com o SEP.
Segundo o dirigente, a APHP encerrou, inclusive, o processo de conciliação no dia 12 de janeiro, sem estar prevista qualquer reunião entre as entidades no futuro.
A APHP, citada numa resposta enviada à Lusa a propósito das declarações do SEP, disse que a associação tem tido "uma postura de total disponibilidade para trabalhar e negociar com todas as estruturas sindicais representativas das profissões enquadradas no setor da hospitalização privada".
A associação afirmou que, em 2025, assinou um Contrato Coletivo de Trabalho (CCT) com o Sindicato dos Trabalhadores do Setor de Serviços (SITESE) e o Sindicato dos Técnicos Superiores de Diagnóstico e Terapêutica (SINDITE).
"O acordo representou um aumento salarial médio de 75 euros, para 9500 trabalhadores, de 90 empresas do setor da hospitalização privada", segundo a APHP.
A associação mencionou ainda o Contrato Coletivo celebrado em 2025 entre a APHP e a Plataforma "Compromisso Pela Enfermagem", "que permitiu evoluir também em termos de valorização profissional e modernização das regras". O SEP não integra esta plataforma.
A plataforma é composta pelo Sindicato Democrático dos Enfermeiros de Portugal (SINDEPOR), pelo Sindicato Independente de Todos os Enfermeiros Unidos do Continente e Ilhas (SITEU), pelo Sindicato de Enfermeiros (SE), pelo Sindicato Independente dos Profissionais de Enfermagem (SIPEnf) e pelo Sindicato Nacional dos Enfermeiros (SNE).
O SEP organizou esta sexta-feira uma concentração para reivindicar melhores condições de trabalho, em frente ao Hospital da Luz em Coimbra e vai organizar outra na segunda-feira às 14:30, em frente ao Hospital CUF Porto.
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