Para Bruno Fialho, em causa estão as "ilegalidades praticadas" pela empresa ao "não aplicar as leis imperativas de cada país".
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O Sindicato Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil (SNPVAC) está esta segunda-feira reunido com congéneres europeus para "acertar as datas" da greve europeia de tripulantes de cabine da Ryanair a realizar em julho/agosto, disse a direção à Lusa.
"Vamos continuar a reunião realizada a 24 de abril em Lisboa e tudo indica que iremos acertar as datas para a greve a realizar em julho e/ou agosto. Tenho esperança que saia uma data marcada, já", afirmou Bruno Fialho, da direção do SNPVAC, em declarações à agência Lusa à entrada para o encontro, que decorre entre as 11h00 e as 16h30 em Madrid.
Em causa, explicou, está a "falta de compromisso, as condições laborais idênticas em todos os países, que não existem, e as ilegalidades praticadas pela Ryanair ao não aplicar as leis imperativas de cada país na base do tripulante".
"Os motivos são completamente transversais a todos os países. Estamos unidos numa frente única, europeia, contra esta Ryanair que tem que alterar a sua forma de estar no mercado", garantiu.
De acordo com Bruno Fialho, na reunião desta segunda-feira os vários sindicatos europeus "irão apresentar os argumentos - quer legais, quer outros - para depois se discutir o dia, dias ou meses em que irá ser realizada a greve".
"Isto envolve uma concertação europeia, a nível legal temos aqui bastantes questões para dirimir e não queremos que falhe nada, pelo que esta reunião é de extrema importância para conseguirmos encontrar datas que consigam aproveitar a todos os sindicatos europeus", sustentou.
Conforme explicou, sendo a lei da greve "diferente nos vários países europeus", há que "discutir essas situações burocráticas" de forma a "encontrar datas para que todos consigam realizar a greve europeia dos tripulantes de cabine da Ryanair".
Para o SNPVAC, tendo em conta a reunião, é "no mínimo estranho" que no domingo "fosse publicada numa primeira página de um jornal diário, com destaque de 'marketing', que a Ryanair está a contratar tripulantes em Portugal".
"Lamentamos que os nossos alertas públicos sobre as ilegalidades cometidas, as más condições de trabalho que oferecem e os contratos que por pouco dinheiro deixam reféns quem não tem dinheiro nenhum não pareçam demover uma estratégia montada e virada para o engano, perpetuada e aceite por quem tem responsabilidades e o poder de informar e esclarecer devidamente o povo português", sustenta.
"Por essa razão - acrescenta - temos agora uma Europa revoltada e esta segunda-feira em Madrid segue a revolta que se iniciou em Lisboa e que se propaga por muitos países".
A Ryanair tem estado envolvida numa polémica desde a greve dos tripulantes de cabine em Portugal por ter recorrido a trabalhadores de outras bases para minimizar o impacto da paralisação.
Em 11 de abril, a presidente do SNPVAC considerou "uma ideia muitíssimo boa" ir a tribunal, depois de a Ryanair ter admitido a possibilidade de processar o sindicato.
"Até acho muito bem que todos vamos a tribunal dirimir este problema em conjunto. Acho que foi uma ideia muitíssimo boa e estamos preparados para isso, com toda a certeza", referiu Luciana Passo à agência Lusa, depois de o presidente executivo da transportadora irlandesa, Michael O'Leary, ter admitido nesse dia um processo face às "falsas alegações" dos sindicalistas.
Desde o início da paralisação de três dias, no período da Páscoa, que o SNPVAC acusou a companhia aérea de violar a lei portuguesa, ao substituir trabalhadores em greve, incluindo com ameaças de despedimento.
O presidente executivo da Ryanair garantiu também, em 11 de abril, que os trabalhadores da transportadora aérea em Portugal preferem continuar com contratos sob a lei irlandesa, uma vez que ganham mais e têm mais dias de licença maternal.
"Os tripulantes são muito bem pagos. Ganham entre 30 a 40 mil euros por ano, o que é mais do que enfermeiros ou professores em Portugal e estamos muito agradecidos que poucos tenham apoiado a greve no fim de semana da Páscoa, e foi por isso que a greve teve tão pouco sucesso e cancelámos menos de 10% dos nossos voos", notou Michael O'Leary à agência Lusa.
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