Todos os municípios ribeirinhos do distrito de Santarém sofreram inundações em zonas baixas, cortes de estradas, evacuações preventivas e forte mobilização de meios de proteção civil.
A ligeira descida dos caudais do Tejo registada esta sexta-feira em Abrantes reflete o cenário vivido nos municípios ribeirinhos do distrito de Santarém, após 24 horas de cheias que obrigaram à retirada de idosos, fecho de escolas e corte de estradas.
"Depois de 24 horas muito intensas, estamos agora num momento de maior tranquilidade, mas mantemo-nos atentos e preocupados com o atual nível dos caudais e de como a situação poderá evoluir", disse esta manhã à Lusa o presidente da Câmara de Abrantes e da Comissão Distrital de Proteção Civil de Santarém, Manuel Jorge Valamatos, numa altura em que os caudais do Tejo registam uma ligeira descida.
Pelas 10h00, a estação de medição de Almourol registava 7.783 metros cúbicos por segundo (m³/s), depois de na quinta-feira, ao final da tarde, os valores terem ultrapassado os 8.600 m³/s, num dia em que os caudais mais do que duplicaram, passando de cerca de 3.500 m³/s durante a madrugada para níveis que motivaram a ativação do alerta vermelho.
O comportamento do rio em Abrantes reflete o que ocorreu ao longo de todos os municípios ribeirinhos do distrito de Santarém, com inundações em zonas baixas, cortes de estradas, evacuações preventivas e forte mobilização de meios de proteção civil.
"O que aconteceu em Abrantes aconteceu, com maior ou menor intensidade, ao longo de todos os municípios ribeirinhos do distrito. Quando aqui atingimos determinados caudais, sabemos que o impacto vai sentir-se a jusante e isso obriga-nos a todos, no distrito, ao mesmo nível de alerta e mobilização", afirmou Manuel Jorge Valamatos.
Nas últimas 24 horas, as zonas de Rossio ao Sul do Tejo, Cabrito, Arrifana, Rio de Moinhos e Alvega foram afetadas pela subida das águas, levando as autoridades a recomendar o desligar dos quadros elétricos das habitações e a restringir deslocações. As escolas da cidade de Abrantes permaneceram esta sexta-feira encerradas.
Ao final do dia de quinta-feira, foram retirados 53 utentes de estruturas residenciais localizadas em zonas inundáveis, dos quais 41 foram realojados em ERPI - Estrutura Residencial Para Pessoas Idosas e os restantes encaminhados para familiares.
Alguns troços rodoviários foram entretanto reabertos com a descida do nível das águas, nomeadamente na Estrada Nacional 2 (EN2) entre Arrifana e Bemposta, na EN118 entre Alvega e Gavião e na EN3 em Rio de Moinhos, mantendo-se, contudo, vários cortes e condicionamentos, sobretudo entre o Tramagal e o Rossio ao Sul do Tejo e entre Arrifana e São Miguel do Rio Torto.
Manuel Jorge Valamatos sublinhou que, apesar da estabilização e ligeira descida dos caudais, a preocupação mantém-se elevada, sobretudo devido à chuva prevista para as próximas horas, quer na região, quer a montante, em Espanha, e às descargas das barragens espanholas.
"O acumulado das barragens do Fratel e da Pracana atingiu os oito mil metros cúbicos por segundo, que é a nossa linha vermelha. Mais do que isso deixa-nos numa situação completamente desastrosa, não apenas em Abrantes, mas em todo o distrito, porque aquilo que acontece aqui tem repercussões a jusante, agravadas pela confluência com o Zêzere, em Constância", alertou.
O autarca destacou, por isso, a necessidade de manter os níveis máximos de prevenção e cumprir rigorosamente as orientações da Proteção Civil, sublinhando que as pessoas retiradas das suas habitações ainda não deverão regressar, face à incerteza da evolução meteorológica e hidrológica.
A montante, em Espanha, a Confederação Hidrográfica do Tejo indicava esta manhã uma "tendência descendente" na descarga da barragem de Cedillo para Portugal, que passou de mais de 6.300 m³/s na quinta-feira para cerca de 3.900 m³/s, mantendo-se, ainda assim, como a que mais água liberta em toda a bacia do Tejo, num contexto em que várias barragens espanholas permanecem em aviso vermelho devido ao mau tempo.
Treze pessoas morreram em Portugal desde a semana passada na sequência da passagem das depressões Kristin e Leonardo, que provocaram também muitas centenas de feridos e desalojados.
A destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, a queda de árvores e de estruturas, o fecho de estradas, escolas e serviços de transporte, e o corte de energia, água e comunicações são as principais consequências materiais do temporal.
As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo e Alentejo são as mais afetadas.
O Governo prolongou a situação de calamidade até dia 15 para 68 concelhos, que irão beneficiar de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.
A situação de calamidade em Portugal continental foi inicialmente decretada entre 28 de janeiro e 01 de fevereiro para cerca de 60 municípios, tendo depois sido estendida até ao dia 08 para 68 concelhos, voltando a ser prolongada até 15 de fevereiro.
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