Trabalhadores da empresa de 'handling' defendem que as alterações do Orçamento do Estado colocam postos de trabalho em causa.
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Os trabalhadores da empresa de 'handling' (assistência nos aeroportos em terra) Portway defenderam esta quinta-feira que as alterações do Orçamento do Estado para o subsídio social de mobilidade na Madeira são um "erro estratégico", colocando postos de trabalho em causa.
Em causa está a ameaça da companhia aérea easyJet de interromper as ligações aéreas entre a Madeira e o continente, a partir de Lisboa e do Porto, na sequência da aprovação, no âmbito do Orçamento do Estado, das novas regras do subsídio de mobilidade para a Madeira, que determinam que os madeirenses passem a pagar apenas o preço estipulado para as passagens aéreas de ida e volta - 86 euros para os residentes e 65 euros para os estudantes - sem terem de adiantar valores passíveis de reembolso.
Num comunicado, a Comissão de Trabalhadores da Portway demonstrou "a sua preocupação sobre as consequências da alteração do subsídio social de mobilidade para os residentes da ilha da Madeira".
O organismo considera que "é inequívoco que esta medida vem beneficiar todos os madeirenses, reforça o princípio de continuidade territorial e diminui o impacto da insularidade", mas, ao mesmo tempo "trouxe muitas preocupações aos trabalhadores da Portway, em especial aos trabalhadores da escala do Funchal pelo facto da easyJet e Transavia ameaçarem abandonar as rotas domésticas. As posições das companhias aéreas devem-se exclusivamente a uma interferência política", salienta a Comissão.
A Comissão de Trabalhadores da Portway criticou também a posição do secretário Regional de Turismo e Cultura da Madeira, Eduardo Jesus, acusando-o de considerar "um 'bluff' a posição da easyJet" e questionando se "a Transavia também está a fazer 'bluff'".
"Esta posição é de uma irresponsabilidade sem precedentes. Ambas as companhias são assistidas pela Portway e isso está a pôr em causa centenas de postos de trabalho", alertou.
Esta semana, Eduardo Jesus disse que "no que diz respeito à easyJet o que se passa é muito simples: estamos mais do que convencidos de que essa ameaça não se traduzirá na prática. O que acontece é que há um modelo de subsidiação dos residentes da Madeira e dos Açores, os dois arquipélagos têm essa subsidiação, e que, no caso da easyJet, não é entendido da mesma maneira que é pelas outras companhias", afirmou, num almoço com os jornalistas em Lisboa.
No comunicado enviado hoje, a Comissão de Trabalhadores questiona ainda se o Governo "está realmente a defender os interesses dos madeirenses, prejudicando os interesses de quem nos visita" e acusa o executivo de "pôr em causa a liberalização da rota da Madeira".
"Até quando vão insistir neste erro estratégico para a ilha da Madeira", perguntam os trabalhadores, no comunicado.
"Em 2019 as rotas domésticas da easyJet movimentaram mais de 350.000 passageiros. Evidentemente estas rotas trouxeram benefícios à região autónoma da Madeira, entre outros, uma maior concorrência e disponibilidade de tarifas mais baixas para todos", garantiram os trabalhadores.
Segundo o comunicado, a Portway prestou, no ano passado, "assistência a mais de 2.000 voos domésticos da easyJet só na escala do Funchal e a mais de 5 mil a nível nacional".
Já a Transavia "realiza voos de ligação com origem e destino do Porto desde 2010, e só em 2019 foram assistidos na escala do Funchal pouco mais de 1.400 voos e a nível nacional mais de 2.800 voos transportando mais de 200.000 passageiros", adiantou a Comissão.
"Estamos seriamente preocupados com a possibilidade da deterioração das condições de trabalho e perda de postos de trabalho a nível nacional", referiu o organismo, recordando que, em 2016, a Ryanair terminou o contrato com a Portway e que isso fez com que a empresa fosse "obrigada a implementar medidas de reestruturação que passaram pelo despedimento coletivo de 257 trabalhadores dos vários aeroportos nacionais onde a Ryanair operava".
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