Sindicatos desejam sucesso a Luís Rodrigues, que toma posse esta sexta-feira.
Os sindicatos representativos dos trabalhadores da TAP exigiram esta quinta-feira, em carta aberta ao novo presidente, o fim dos cortes salariais e a reintegração dos funcionários despedidos para que seja restabelecida a paz social na companhia aérea.
Na carta aberta esta quinta-feira divulgada, os sindicatos desejam sucesso a Luís Rodrigues (que toma posse esta sexta-feira), a quem pedem uma reunião em breve, e que pode contar com os trabalhadores para serem "parte da solução" e "em conjunto elevar a TAP ao patamar que merece".
Para os sindicatos, a entrada da nova administração da TAP é o "momento ideal para acabar com matrizes ideológicas e gestão algorítmica de má memória para todos, que apenas serviram para estrangular a vida dos trabalhadores do Grupo TAP".
Dizem que os trabalhadores querem "lutar para restituir a credibilidade da companhia que foi irremediavelmente abalada", por culpa "da administração cessante bem como dos governantes", e que o estado atual da empresa obriga a "medidas sérias e concretas que garantam a paz social".
No imediato, exigem "o fim dos ATE [acordo temporário de emergência], o fim dos cortes e dos congelamentos salariais, a reversão das denúncias dos AE [Acordos de Empresa], bem como a reintegração dos trabalhadores alvo do despedimento coletivo".
Os sindicatos dizem que não ficarão parados e que irão levar a cabo uma série de iniciativas nas próximas semanas, sem inidicarem quais.
Os signatários da carta aberta são os sindicatos dos Economistas, dos Engenheiros, da Indústria Aeronáutica, das Indústrias Metalúrgicas e Afins, Nacional dos Trabalhadores da Aviação Civil, dos trabalhadores da Aviação e Aeroportos, dos Técnicos de Manutenção de Aeronaves, dos Engenheiros, Engenheiros Técnicos e Arquitetos, Nacional do Pessoal de Voo da Aviação Civil, dos Pilotos da Aviação Civil, dos Quadros da Aviação Comercial, dos Técnicos de Handling de Aeroportos e dos Trabalhadores dos Transportes de Portugal.
Luís Rodrigues vai tomar posse como presidente do Conselho de Administração (PCA) e presidente executivo (CEO) da TAP esta sexta-feira.
O gestor, que liderava a SATA, foi escolhido pelo Governo para substituir Christine Ourmières-Widener e Manuel Beja, que foram demitidos.
O Governo anunciou em 06 de março a exoneração da presidente executiva da companhia aérea, Christine Ourmières-Widener e a do presidente do Conselho de Administração, Manuel Beja, depois de divulgados os resultados de uma auditoria da Inspeção-Geral das Finanças (IGF), que concluiu que o acordo para a saída de Alexandra Reis é nulo e grande parte da indemnização de perto de meio de milhão de euros terá de ser devolvida.
A polémica começou no final de dezembro, altura em que o Correio da Manhã noticiou que a então secretária de Estado do Tesouro tinha recebido uma indemnização de cerca de 500.000 euros para sair dois anos antes do previsto da administração da TAP.
O processo foi negociado ao abrigo do código das sociedades comerciais, quando a TAP está abrangida pelo estatuto do gestor público.
O caso motivou uma remodelação no Governo, incluindo a saída do ex-ministro das Infraestruturas e Habitação, Pedro Nuno Santos.
A comissão parlamentar de inquérito à TAP ouviu as primeiras personalidades nas últimas semanas, incluindo Christine Oumières-Widener, Manuel Beja e Alexandra Reis, com revelações que fizeram aumentar a pressão sobre o Governo de António Costa.
Na mira estão os ministros das Finanças, Fernando Medina, dos Assuntos Parlamentares, Ana Catarina Mendes, e das Infraestruturas, João Galamba, depois de a presidente executiva da TAP ter confirmado uma denúncia da Iniciativa Liberal sobre uma reunião com o grupo parlamentar do PS, na véspera da audição parlamentar, em janeiro.
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