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Traçado da linha de alta velocidade 'reservado' durante pelo menos dois anos

Operações urbanísticas no troço da linha não podem decorrer sem parecer prévio da Infraestruturas de Portugal.

26 de dezembro de 2023 às 12:10

O traçado da futura linha ferroviária de alta velocidade entre Porto e Soure, parte da linha Lisboa-Porto, estará 'reservado' pela Infraestruturas de Portugal (IP) durante dois anos, com mais um de opção, segundo uma resolução publicada esta terça-feira.

"O prazo de vigência das medidas preventivas é de dois anos contados a partir da data da respetiva entrada em vigor, prorrogável por mais um, se tal se mostrar necessário", pode ler-se numa resolução do Conselho de Ministros publicada esta terça-feira em Diário da República (DR).

Em causa está a aprovação, pelo Governo, no Conselho de Ministros de 7 de dezembro, no Porto, de "medidas preventivas" para que no troço da linha de alta velocidade não decorram operações urbanísticas sem o parecer prévio da IP.

Na resolução esta terça-feira publicada em DR, o Governo estabelece que ficam sujeitas a parecer prévio vinculativo da IP operações como loteamentos, urbanizações, construções, ampliações, alterações ou reconstruções, remodelações de terrenos, demolições ou derrubes de árvores.

Em casos excecionais, acrescenta, a IP pode também vetar projetos prévios à entrada em vigor da resolução do Governo, "quando estes prejudiquem, de forma grave e irreversível, a execução do empreendimento de ligação ferroviária de alta velocidade entre os troços Porto-Campanhã/Aveiro (Oiã) e Aveiro (Oiã)/Soure".

Em 7 de dezembro, o secretário de Estado Adjunto e das Infraestruturas, Frederico Francisco, considerou o projeto da alta velocidade "o investimento público mais importante da primeira metade do século XXI em Portugal".

Segundo o governante, o facto de não decorrerem, sem parecer prévio da IP, operações urbanísticas no troço da alta velocidade permitirá que a sua execução não se torne "mais difícil e cara".

Questionado sobre como poderiam estas medidas assegurar que o próximo Governo avança com a execução do projeto, tal como está definido, Frederico Francisco afirmou que esta opção "preserva o maior número de graus de liberdade a um futuro Governo".

"Neste momento, julgo que estão criadas todas as condições para que possa avançar. Estamos mais avançados no processo do que alguma vez estivemos. Existe um consenso sobre a necessidade de uma nova linha Porto-Lisboa", salientou, acrescentando que sendo possível lançar os concursos da primeira fase de obra em 2024, há "condições de cumprir o calendário anunciado e ter a primeira fase em operação no final de 2028".

O secretário de Estado disse, no entanto, acreditar que a decisão do próximo Governo não será "muito diferente daquela que já foi tomada e que é altamente consensual no país".

Aos jornalistas, Frederico Francisco adiantou que, com estas medidas e definição do traçado, o projeto de alta velocidade passa a estar "muito mais maduro", o que torna provável o sucesso da candidatura portuguesa ao fundo CEF - Connecting Europe Facility, dirigido anualmente pela Comissão Europeia.

O projeto de alta velocidade Lisboa-Porto, com um custo estimado de cerca de 4,5 mil milhões de euros, prevê uma ligação entre as duas cidades numa hora e 15 minutos, com paragem possível em Leiria, Coimbra, Aveiro e Gaia.

Paralelamente, está também a desenvolver-se a ligação Porto-Vigo, dependente da articulação com Espanha, com nova ligação ao Aeroporto Francisco Sá Carneiro e troço Braga-Valença (distrito de Viana do Castelo) até 2030.

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