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Um em cada mil bebés nasce com uma deformidade congénita denominada pé boto. As causas da doença não estão identificadas, mas os clínicos atribuem à genética uma influência importante.
'As crianças nascem com os membros inferiores enrolados para dentro, não permitindo o apoio da planta dos pés', explica ao CM Jorge Seabra, director do Serviço de Ortopedia do Hospital Pediátrico de Coimbra (HPC).
Em Portugal, existem vários serviços clínicos de referência no tratamento da doença. O Pediátrico de Coimbra e o Centro Hospitalar do Funchal, na Madeira, assumem-se como pioneiros no tratamento através do método – não cirúrgico – de Ponseti. 'É um método fácil de realizar, que começou a ser divulgado e utilizado em Portugal há cerca de dez anos', refere Jorge Seabra.
'Usamos gessos sucessivos – entre cinco e seis aplicações – onde uma simples modificação na manipulação articular, com utilização de talas por um período mais longo, leva a um decréscimo da percentagem de casos que necessitam de uma intervenção cirúrgica que, com outros tratamentos, era superior a 40%', adianta o médico.
O tratamento concebido pelo espanhol Ignacio Ponseti tem permitido resultados significativos. 'Em 95% dos casos não é necessária a cirurgia. Apenas recorremos à intervenção cirúrgica numa percentagem residual dos recém-nascidos tratados através deste método', sublinha Jorge Seabra.
O pé boto é fácil de diagnosticar. É uma doença que não põe problemas de diagnóstico e, pelo feitio do pé, o médico consegue facilmente identificar a doença em questão. A incidência da doença em Portugal é idêntica à do resto da Europa, com uma média de 1 a 1,5 bebés em cada mil.
DISCURSO DIRECTO
'SOMOS UMA REFERÊNCIA', Jorge Seabra, Director do Serviço de Ortopedia do HPC
Correio da Manhã – Os serviços de Pediatria portugueses estão preparados para tratar o pé Boto?
Jorge Seabra – No geral, sim. Em Coimbra vivemos uma situação paradoxal. Somos um serviço de referência nacional e fomos pioneiros na aplicação do método Ponseti . No entanto, um número considerável de pais da Região Centro continua sem saber que o tratamento pode ser feito aqui e leva os filhos a centros longínquos.
– Porque é que isso acontece?
– Muitas vezes por falta de informação. Os pais das crianças procuram dados sobre a doença na internet e acabam por não a encontrar relacionada com o Pediátrico de Coimbra. Por isso, vão para outros centros.
– Quanto tempo demora o tratamento?
– Em média, cerca de quatro anos. Mas, depende, obviamente, dos casos.
TRATAMENTO SEM ALARMAR
Os bebés iniciam os tratamentos nas primeiras semanas de vida. 'Não há a necessidade de alarmar os pais logo após o parto. Deixamos que possam criar uma habituação ao recém-nascido e, posteriormente, iniciamos o tratamento', explicou Jorge Seabra, director da Ortopedia do Hospital Pediátrico de Coimbra. Segundo os especialistas, ao fim de quatro anos, os doentes podem apoiar com normalidade a planta dos pés.
APONTAMENTOS
INTERVENÇÃO
Na maioria dos casos é necessário realizar um pequeno corte acima do calcanhar para fazer uma tenotomia do Tendão de Aquiles. A intervenção é feita com anestesia local.
MÉTODO EM ÁFRICA
Projectos de tratamento do pé boto realizam-se em Cabo Verde, Angola e Moçambique, em colaboração com o Hospital Pediátrico de Coimbra.
RISCO DE VOLTAR
O pé boto é uma deformidade 'com memória'. Se o Brace de Abdução dos Pés (tala) não for utilizado correctamente, o risco de recaída é elevado. O pé pode readquirir a deformação e necessitar de mais gesso.
O MEU CASO: TOMÁS BATISTA
'OS MEUS PAIS NÃO PODEM FACILITAR'
Tomás Batista nasceu com pé boto, em Dezembro de 2003, na Figueira da Foz. O parto do segundo filho da família Batista foi através de uma cesariana. Durante a gravidez nenhum problema foi diagnosticado no feto mas, após o nascimento, a médica observou que Tomás tinha pé boto. 'No início foi um choque, relembra Ana Paula Batista, mãe de Tomás.
Após o impacto inicial começaram os tratamentos. 'O Tomás nasceu à uma da tarde e, poucas horas depois, iniciou o tratamento', refere Ana Paula. 'A adaptação aos gessos, principalmente com o calor, e a redução da mobilidade foram factores complicados para o meu filho', admite. Actualmente, com seis anos, Tomás continua com os tratamentos. Usa calçado comum e desloca-se com normalidade. Ana Paula deixa um conselho: 'Não podemos facilitar. Devemos seguir as ordens dos médicos e não tirar as talas às crianças no tratamento'.
MÉDICO ESPANHOL
Omédico espanhol Ignacio Ponseti desenvolveu o seu método nos Hospitais da Universidade de Iowa
BEBÉ AGITADO
Nas 24 horas seguintes à aplicação do primeiro gesso, o bebé poderá ficar mais agitado
PRECAUÇÕES
Os pais devem verificar se os dedos dos pés das crianças estão rosados. E colocar uma almofada debaixo do gesso
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